Esta médica coordena o primeiro Congresso Nacional da Urgência, que acontece a 24 e 25 de outubro no Funchal e que vai procurar “soluções para os serviços de urgência nacionais”.

Maria da Luz Brazão disse à agência Lusa que o objetivo de quem trabalha numa urgência – que “felizmente são maioritariamente os internistas – é manter a qualidade do atendimento”.

Uma tarefa que tem sido dificultada pela “sobrelotação” em que se encontram os serviços.

“Estamos preocupados com a sobrelotação da urgência, o que não é exclusivo português, pois tem acontecido em todo o mundo”, disse.

Em Portugal, contudo, tem-se assistido a um aumento da esperança de vida que se tem traduzido em mais doentes idosos, com mais doenças.

Para facilitar a resposta, Maria da Luz Brazão, do Núcleo de Estudos de Urgência e do Doente Agudo (NEUrgMI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), defende a reabertura de alguns dos SAP que foram encerrados nos últimos anos, tal como acontece em “picos” de procura, como aconteceu na passada época gripal.

“As urgências não precisam de ser aumentadas. Tem é de diminuir o número de pessoas que chegam a este serviço”, afirmou, defendendo o atendimento de doentes verdes e azuis (os menos graves) nos cuidados de saúde primários.

Ao nível do internamento, a médica também identifica constrangimentos e “um bloqueio”, defendendo a criação de unidades de internamento curto (inferiores a 32 horas).

Sobre as consequências da crise na afluência dos doentes às urgências, Maria da Luz Brazão refere que estes acabam de procurar mais este serviço, pois “acaba por sair mais barato do que ir a uma consulta”.

Esta utilização excessiva dos serviços de urgência por doentes sem gravidade “coloca em causa a eficiência das vias verdes prioritárias, como trauma, coronária, sepsies e Acidente Vascular Cerebral (AVC)”, segundo o NEUragMI.

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