
"É uma associação leiga. Naturalmente, somos católicos e fiéis à doutrina da Igreja. As diversas problemáticas que afetam o exercício das medicina, discutímo-las francamente entre nós, mas procuramos que a resultante seja de fidelidade à Igreja", explicou o presidente da associação Carlos Martins da Rocha à agência Lusa.
Ginecologista-obstetra do Hospital de São João, no Porto, Carlos Martins da Rocha afirma-se "um homem de ciência e profudamente crente" e garante que não tem "qualquer problema em compatibilizar a fé com os conhecimentos científicos".
Há um ano em funções, a atual direção diz ter como modelo para o seu mandato a figura de "Cristo Médico".
"Como médicos católicos temos a enorme responsabilidade de procurarmos, em primeiro lugar, ser competentes no exercício da nossa profissão e, em segundo lugar, ter uma relação com o doente o mais parecida com aquela que teria Cristo", considerou Carlos Martins da Rocha.
A relação médico-doente será, de resto, o tema da reunião nacional de médicos católicos, agendada para sábado no Porto, no âmbito de um programa de atividades que decorre desde janeiro para assinalar o centenário da associação.
Lembrou que há aspectos desta relação que se têm deteriorado e que o relacionamento é dificultado por várias questões, entre as quais a imposição de tempos limite para as consultas ou a organização dos serviços de saúde são alguns exemplos.
Ainda assim, sublinhou que a capacidade de relacionamento com o doente depende essencialmente do médico.
"O médico existe para tratar competentemente o doente, sabendo tratar a doença, mas não pode esquecer-se do doente, aquele que o procura", disse.
Carlos Martins da Rocha destacou os debates e ações de formação promovidos pela associação sobre questões sensíveis para a Igreja Católica como o testamento vital, a ideologia de género ou a homosexualidade.
A posição em relação ao aborto, por exemplo, é um dos temas em que os médicos católicos manifestam "inteira solidariedade" com a posição da Igreja Católica, sendo "contrários ao aborto como solução para as gravidezes indesejadas".
Porém, a associação ainda não tomou qualquer posição oficial sobre a petição para rever a lei do aborto, apoiada pela Igreja Católica, e que reuniu 5 mil assinaturas.
"A lei que temos em Portugal é uma lei de despenalização, mas na prática dá a possibilidade de a mulher abortar sempre que estiver de acordo com a lei", considerou.
Fundada em 1915 pelo bispo do Porto, António Barroso, a associação é uma das mais antigas associações de médicos católicos em todo o mundo.
Com 600 associados está organizada em núcleos nas dioceses portuguesas e responde perante a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).
A associação publica há mais de 75 anos a revista "Ação Médica", que promove a discussão de temas que afetam o exercício da medicina numa perspetiva cristã.
Os médicos da associação dão também apoio médico, aos fins de semana e durante as grandes peregrinações, aos peregrinos que se deslocam a Fátima.
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