O combate à malária através de alterações genéticas que mudem a alimentação dos mosquitos que a transmitem é um dos exemplos apontados pelos cientistas que estudam as mudanças no comportamento animal conseguidas com modificações nos seus genes.

Embora ainda no campo experimental, essa é uma hipótese meramente teórica, mas que está a ser investigada, disse à agência Lusa o investigador principal Carlos Ribeiro, do Programa Neurociências da Fundação Champalimaud, que vai participar num evento científico que decorre dia 21, em Lisboa, para debater como as necessidades de alimento influenciam o comportamento dos animais.

No caso dos mosquitos que transmitem a malária – doença que mata três milhões de pessoas por ano no mundo e afeta outros 500 milhões – uma possível alteração genética para impedir a picada de humanos teria que conseguir mudar os hábitos alimentares dos insetos, designadamente na parte onde é produzida a informação de que o sangue o humano satisfaz as suas necessidades de proteínas, explicou o cientista.

Salvaguardando que essa não é a sua especialidade, o neurocientista afirmou que é também possível, através de mudanças genéticas, alterar as preferências de um determinado inseto por um tipo de fruta, conseguindo que passe a optar por outro.

Além de Carlos Ribeiro, vão apresentar comunicações na sessão o australiano Steve Simpson, especialista em fisiologia da nutrição e professor na Universidade de Sydney, e o ‘chef’ Paulo Morais, especialista em cozinha asiática.

O cientista português irá dissertar sobre a forma como a necessidade de alimento influencia o comportamento dos animais, designadamente na mosca da fruta, inseto que mais utiliza no seu trabalho de laboratório.

As hipóteses vão surgindo entre os cientistas que estudam genética, mas “é tudo ainda muito experimental”.

“Ainda é muito cedo para pensar quais irão ser as aplicações concretas”, acentua Carlos Ribeiro.

O investigador de nacionalidade suiça, filho de um português, disse à Lusa que na sua intervenção vai também falar sobre o que o podem os geneticistas fazer com as atuais ferramentas tecnológicas de que dispõem e contar um pouco do que é o quotidiano dos investigadores que se dedicam a esta área específica do conhecimento.

O título da sessão, que se realiza na Fundação Champaulimad, é inglês (tal como a língua em que vão decorrer as intervenções) - “Food for thought: tasting ideas” –, o que pode ser traduzido “Alimento para o pensamento: as ideias da degustação”.

19 de junho de 2012

@Lusa