A lei que obriga aos centros comerciais e estações de transportes com fluxo superior a 10 mil pessoas a terem desfibrilhadores para socorrerem utentes em caso de paragem cardíaca entra hoje, dia 1 de setembro, em vigor. A lei estabelece dois anos para a aquisição dos aparelhos e definição de um plano de emergência. Alguns espaços já estão habilitados, outros nem por isso.

Supermercados, centros comerciais, aeroportos e estações de transportes passam a estar obrigados a ter um Programa de Desfibrilhação Automática Externa (DAE), define um diploma do governo, publicado em agosto passado em Diário da República, que dá dois anos aos responsáveis pelos espaços para cumprir as regras.

A existência de equipamentos de desfibrilhação automática fora do ambiente hospitalar já estava regulada desde 2009, mas é agora alargada a espaços com fluxo médio diário superior a dez mil pessoas e recintos desportivos, de lazer e de recreio com lotação superior a cinco mil pessoas.

“Encontramo-nos na fase de avaliação de propostas de aquisição destes aparelhos, que inclui, também, um plano para a respetiva formação das equipas, processo esse que está em fase de conclusão e que deverá estar disponível nos próximos meses”, indica, em comunicado, a Multi Mall Management, entidade que gere centros comerciais como o Fórum Aveiro, Armazéns do Chiado ou o Albufeira Retail Park. “Os nossos espaços prezam por proporcionar aos nossos clientes o melhor, e o melhor significa, também, o respeito pela sua segurança e bem-estar”, assegura a empresa no comunicado enviado ao SAPO Saúde.

Duarte Cruz, diretor de Gestão dos Centros Comerciais Dolce Vita, garante que todos os centros comerciais da rede já têm desfibrilhadores e estão devidamente licenciados pelo INEM para o efeito. “Existe, pelo menos, um colaborador da equipa de vigilância a tempo inteiro, com formação específica no Programa de Desfibrilhação Automática Externa” em cada centro comercial, acrescenta.

Relativamente aos centros comerciais geridos pela Sonae Sierra, existem um a três equipamentos de desfibrilhação automática externa por cada unidade comercial e um mínimo de cinco operacionais habilitados a prestar socorro por cada um destes aparelhos. “São cerca de 200 [vigilantes e auxiliares de operações] que foram formados para garantir uma resposta eficaz em caso de necessidade de utilização do aparelho”, explica a empresa em comunicado.

Dada a dimensão do estabelecimento, o Centro Comercial Colombo, que já dispõe de um programa de DAE, passa a ter, em setembro, uma equipa de enfermeiros encarregada por prestar os primeiros socorros no espaço, incluindo a utilização dos aparelhos de desfibrilhação.

O único centro comercial do grupo em Portugal que ainda não está equipado com o programa de DAE é o Parque Atlântico, em São Miguel, nos Açores, por deliberação do governo regional que optou por implementar a lei em duas fases: a primeira  destinada aos organismos públicos e a segunda às entidades privadas. Porém, no comunicado da Sonae Sierra, a entidade esclarece que durante o mês de setembro será dada formação às equipas que integram o centro comercial. “Prevê-se que [o Programa de DAE] esteja implementado em outubro/novembro deste ano”, avança a Sonae Sierra.

Na área dos transportes, a Metro do Porto ainda não tem um prazo definido para a instalação de um programa de DAE, mas garante que já está a trabalhar em conjunto com a concessionária ViaPorto para a aplicação da legislação. Num esclarecimento enviado por email ao SAPO Saúde, a Metro do Porto prevê que sejam instalados dez equipamentos de desfibrilhação em toda a rede. “Serão, à partida, as estações da Trindade, Casa da Música, Bolhão, S. Bento, Senhora da Hora, João de Deus, Santo Ovídio, Campanhã, Campo 24 de Agosto e Marquês”, indica a empresa, adiantando que no futuro também está prevista a instalação de um aparelho na Estação Estádio do Dragão.

O SAPO Saúde contatou a Metro de Lisboa e a Refer, entidade que gere as estações de comboios da CP, mas as duas empresas não emitiram qualquer resposta.

As etapas de um socorro

Detetada uma potencial situação, é alertado o Posto de Segurança do Centro Comercial que envia para o local um vigilante de serviço com a qualificação apropriada para avaliar e lidar com a situação. Se a situação for detetada diretamente por um vigilante, e se ele tiver formação em primeiros socorros, procede a uma avaliação da situação, comunicando-a ao posto de segurança para acionar os mecanismos de alerta necessários.

A identificação de uma potencial paragem cardiorrespiratória por algum elemento da vigilância do centro é comunicada ao posto de segurança com indicação do local exato da mesma. É de imediato alertado o operacional de desfibrilhação automática externa (DAE) mais próximo do local da ocorrência.

Confirmada a paragem cardiorrespiratória, o operacional de DAE dá início à cadeia de sobrevivência:

1. Informando o posto de segurança que estabelecerá a ligação com a emergência Médica – ligando o 112 para informar da situação;

2. Solicita o envio do desfibrilhador mais próximo;

3. Inicia as manobras de suporte básico de vida;

4. O posto de segurança envia para o local, por intermédio de outro elemento da vigilância, o desfibrilhador mais próximo.

5. Início da reanimação com utilização do DAE.

@Nuno de Noronha

2012-09-01

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