"Graças à vacinação, as coisas estão a melhorar, e esperamos que melhorem mais e mais no futuro", disse à AFP o espanhol Pablo Fernández, de 31 anos, membro de um grupo de profissionais de saúde que saía do turno da noite num hospital do leste de Londres.

Aproveitando que o pub "Half Moon" abriu as suas portas excepcionalmente às nove da manhã, o grupo seguiu para lá, para celebrar com cerveja. "Esta reabertura simboliza a bebedeira", brincou, ilustrando a alegria geral de recuperar uma certa liberdade e normalidade.

A partir desta segunda-feira, bares e restaurantes da Inglaterra podem reabrir as suas áreas externas, enquanto o serviço interno terá de esperar até 17 de maio. Nem as gélidas temperaturas pareceram desestimular muitos dos 56 milhões de habitantes da região.

Em Oxford Street, uma das principais ruas comerciais de Londres, os compradores fizeram filas em frente às lojas de roupa desde as 5h30 da manhã, desafiando o frio duas horas antes da reabertura.

Em toda a Inglaterra, os salões de beleza estão inundados de clientes. Alguns anunciaram que ficarão abertos até à meia-noite para responder à procura.

Os governos autónomos de Escócia, Gales e Irlanda do Norte têm autonomia decisória sobre as suas próprias políticas de combate à pandemia e para os seus calendários de desconfinamento.

"Agir de maneira responsável"

Com quase 127.000 mortos, o Reino Unido é o país mais castigado pela COVID-19 na Europa. Confinado pela terceira vez desde janeiro - ou dezembro, em lugares como Londres -, regista agora um número diário muito baixo de óbitos (7 no domingo), contágios (1.730) e hospitalizações (221).

Mostrando uma prudência muito maior do que no final do primeiro confinamento, de março a junho do ano passado, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou um roteiro que prevê - se não houver surpresas - uma nova fase de flexibilização a cada cinco semanas.

A primeira começou em 8 de março, mas limitou-se à reabertura de escolas e à autorização para reuniões de até cinco pessoas ao ar livre.

O Executivo manteve, porém, a orientações do trabalho remoto e, hoje, pediu à população que "aja de maneira responsável" para evitar uma nova escalada de infeções. O objetivo é evitar ter uma economia já abalada paralisada mais uma vez.

Nas redes sociais, na televisão, nos jornais e em painéis na ruas, uma nova campanha pede aos britânicos que deem este "novo passo de forma segura" e se submetam aos dois testes de antígenos semanais disponibilizados pelas autoridades, gratuitamente, duas vezes por semana.

Esta data tão esperada foi ofuscada, porém, pelo falecimento na sexta-feira do príncipe Philip, de 99 anos, marido da rainha Isabel II, que mergulhou o país num período de luto nacional até ao seu funeral no próximo sábado.

60% dos adultos vacinados

Também nesta segunda-feira, reabriram em Inglaterra piscinas e ginásios - embora sem aulas de grupo -, centros cívicos, bibliotecas e os alojamentos temporários de férias - mas não hotéis -, estes últimos restritos apenas ao núcleo familiar.

Esta nova fase de desconfinamento apoia-se numa bem-sucedida campanha de vacinação em massa. Já foram administradas uma primeira dose das vacinas de AstraZeneca, Pfizer e Moderna em mais de 32 milhões de pessoas, e a segunda, em 7,5 milhões.

Quase 60% dos adultos receberam uma injeção. Agora, as autoridades sanitárias esperam começar, em breve, a vacinar aqueles abaixo dos 50 anos.

O objetivo de cobrir toda população adulta até ao final de julho pode, no entanto, ver-se alterado pela decisão de limitar a administração da AstraZeneca àqueles com mais de 30 anos, como medida de precaução diante do surgimento de casos raros de trombose.

Os ingleses terão de esperar até 17 de maio para poderem voltar a assistir espetáculos e a frequentar museus, assim como para poder reunir-se com familiares e amigos em ambientes fechados.

Isso - advertiram as autoridades sanitárias - desde que não dispare o número de casos pela chegada de novas variantes, ou pelo desrespeito às regras.

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