O Serviço de Gastrenterologia do Hospital de S. João (HSJ), no Porto, aplica a partir de hoje um programa de acompanhamento dos doentes com hepatite C, doença que afeta cerca de 150 mil portugueses.

Guilherme Macedo, diretor do Serviço de Gastrenterologia do HSJ, disse hoje à Lusa que “este programa pretende agilizar uma grande proximidade com os doentes em terapêutica ativa”.

O programa "Tempo de Viver" visa o acompanhamento dos doentes desde o momento do diagnóstico até ao fim do tratamento, disponibilizando contactos para o esclarecimento de questões relacionadas com a doença ou a terapêutica.

Neste caso, serão acompanhados os doentes que estão a ser submetidos a medicação com injetáveis, comprimidos ou outra, e que precisam de “um apoio frequente, próximo, no sentido da motivação para um tratamento que muitas vezes é prolongado, seis meses a um ano e às vezes mais, e portanto que se torna muito exigente em termos de vida social e individual”, explicou o especialista.

“Vamos saber como está a decorrer o tratamento, que tipo de problemas é que as pessoas estão a sentir, de forma que se possa, em tempo útil, responder e, sobretudo, motivar para o tratamento. Este mecanismo de proximidade é cada vez mais importante porque os tratamentos são exigentes, com alguns efeitos colaterais e de custos”, frisou.

O programa é apresentado hoje, no HSJ, numa cerimónia que contará com a presença de Zé Pedro, guitarrista dos Xutos e Pontapés, que vai partilhar a sua experiência pessoal na luta contra a patologia.

O Hospital de São João acompanha anualmente cerca de 100 doentes com Hepatite C, doença que resulta de uma inflamação do fígado provocada por um vírus e que, quando crónica, pode conduzir à cirrose, insuficiência hepática e cancro.

A Hepatite C é conhecida como a epidemia “silenciosa” pela forma como tem aumentado o número de indivíduos com infeção crónica em todo o mundo e pelo facto de os infetados poderem não apresentar qualquer sintoma, durante 10 ou 20 anos, e sentir-se de perfeita saúde.

Identificado, em 1989, o agente infecioso que a provoca transmite-se, sobretudo, por via sanguínea.

10 de fevereiro de 2012

@Lusa

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