A sócia fundadora e presidente da associação, Paula Leite, disse hoje à Lusa que a conferência “O amputado, novas etapas, novos rumos, nova vida” vai realizar-se no próximo dia 17, para responder a questões como “O que fazer perante uma amputação? Continua a existir vida? Como fica a vida?”.

“A ação vai valorizar todas as etapas pelas quais a pessoa amputada deveria passar, desde a recém-amputação até à reintegração na sociedade”, afirmou.

Será discutida “a importância do voluntariado específico, logo no hospital, a ajuda imprescindível do psicólogo, o saber do médico fisiatra e a minuciosidade do fisioterapeuta e do ortoprotésico no aconselhamento dos produtos de apoio e a utilidade dos mesmos para a sua qualidade de vida”.

Abordar-se-á também “a relevância da reabilitação psicossocial e profissional, como apoio para a reintegração familiar, social e profissional dos amputados”.

Romper barreiras e informar a classe médica

“Temos de tirar as pessoas amputadas de casa e mudar mentalidades, criando um coletivo de aceitação, não só social, como focada num objetivo ‘eu próprio me aceitar’. Romper barreiras, valores, desbravar caminhos para a felicidade, abrir horizontes e afirmar a qualidade de vida”, defendeu Paula Leite.

A conferência pretende também "informar e sensibilizar a classe médica" para a importância que todas as etapas têm no futuro do amputado.

“É de extrema importância que a classe médica entenda que o recém-amputado tem de se reinventar para sobreviver na sua nova condição e para isso tem de ter acompanhamento especializado e faseado para que o seu futuro e a sua mobilidade sejam o melhor possível”, disse Paula Leite.

Paula Leite foi amputada há oito anos, na sequência de um acidente de viação e, desde então, foi-se apercebendo das “várias lacunas” que existem, tendo, por essa razão, decidido avançar com a criação desta associação.

“Ainda no seio hospitalar senti uma falta de apoio moral muito grande, falta de apoio psicológico e de apoios técnicos, quando saí do hospital. Muitas vezes tive de procurar ajuda na internet porque não há ninguém que nos ajude nesse sentido. Decidi, ao fim de oito anos de amputação, que tinha que fazer alguma coisa para ajudar pessoas que estão a viver a mesma situação que eu”, explicou, em declarações à Lusa.

A presidente da ANAMP pretende “ajudar as pessoas amputadas que sentem algum pudor de sair à rua, de conviverem, de serem empreendedoras e de quererem ter um emprego”.

“Como eu decidi, ao fim de seis meses de amputação, aceitar-me, para viver e ser feliz, acho que tenho por obrigação fazer alguma coisa para ajudar essas pessoas, tentar mudar mentalidades e ajudar”, frisou.

Paula Leite foi amputada aos 34 anos. O acidente aconteceu quando colocava a sinalização de avaria do seu carro. Foi atropelada e esteve hospitalizada durante quatro meses.

A ANAMP é uma associação sem fins lucrativos criada em dezembro de 2014 e que neste momento está na fase de angariação de sócios e de parceiros com vista à oferta de serviços específicos dirigidos aos amputados e familiares/amigos.

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