A primeira morte por apiterapia, tratamento de acupuntura que substitui as agulhas por picadas de abelha, registou-se em Espanha. O caso, o primeiro conhecido em todo o mundo, passou na altura despercebido à opinião pública mas foi, agora, divulgado no Journal of Investigational Allergology and Clinical Immunology pelos alergologistas espanhóis que assistiram a mulher no Hospital Universitario Ramón y Cajal.

A identidade da mulher de 55 anos não foi divulgada pelos dois médicos mas sabe-se que se submetia a tratamentos por apiterapia, uma terapêutica popularizada pela atriz norte-americana Gwyneth Paltrow, para combater o stresse e tratar as contraturas musculares de que sofria. Era, aparentemente, uma pessoa sã, sem qualquer alergia ao veneno de abelha e fazia-o já há dois anos numa clínica especializada.

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O que não impediu que, na sua última sessão, a situação se invertesse, como alertaram Paula Vázquez e Ricardo Madrigal. De repente, começou a respirar com dificuldade, sofreu dispneia e desmaiou logo após uma das picadas.

Semanas depois, morreu na sequência de uma falha multiorgânica associada a um enfarte cerebral provocado por uma hipotensão grave durante a anafilaxia severa que sofreu devido ao veneno de abelha que lhe foi administrado.

"Que saibamos, este é o primeiro caso de morte por apiterapia devido a complicações de uma anafilaxia grave num paciente sensível que era, até aí, tolerante", escrevem os autores do artigo científico. Os dois médicos do hospital madrileno desfazem o mito, defendendo que "uma tolerância prévia às picadas de abelha não impede forçosamente que possam posteriormente surgir reações de hipersensibilidade".

"Uma exposição repetida favorece um maior risco de sensibilidade", dizem, até porque a segurança e eficácia desta técnica terapêutica ainda não está, garantem, cientificamente comprovada. Em 2015, o Journal of Integrative Medicine, em consonância com a revista PLoS Medicine, chamava a atenção para a pouca credibilidade dos estudos que elogiam os benefícios da apiterapia, desvalorizando potenciais efeitos secundários.

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