O transporte de doentes é o principal serviço prestado pela corporação de Bragança e, como revelou hoje o segundo comandante Carlos Martins, “nos últimos quatro anos, os doentes transportados têm aumentado, mas cada vez fazem menos quilómetros”.

“Isso diz-nos que, quer os meios de diagnóstico, quer os meios de tratamento estão cada vez mais próximos de Bragança. Alguns estão mesmo em Bragança e aqueles doentes que eram inicialmente transportados para os hospitais centrais do Porto, passaram a ser transportados para Vila Real, Mirandela ou são tratados e diagnosticados cá”, explicou à Lusa.

Os dados fazem parte das estatísticas dos voluntários de Bragança apresentadas hoje no Conselho Municipal de Segurança. As longas distâncias que os doentes têm de percorrer no Nordeste Transmontano para terem acesso a cuidados especializados sempre foi um dos principais males apontados à saúde nesta região.

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Os dados dos bombeiros de Bragança, a cidade mais populosa da região, mostram que os serviços começam a estar cada vez mais próximos. Na perspetiva do conforto para o doente é, como sublinhou Carlos Martins, “muito mais confortável ser tratado no concelho do que ter que ser sujeito a uma viagem de duas horas ou mais para o Porto”.

Tratamentos mais perto

Deu como exemplo os doentes oncológicos que até há pouco tempo “eram todos transportados para o IPO do Porto”, enquanto agora “há tratamentos - radioterapia, quimioterapia - que se faz em Vila Real”. “Já fica a meio do caminho”, enfatizou.

Para as corporações de bombeiros implica menos receita, mas para o segundo comandante de Bragança “aqui o que importa é, sem dúvida, o conforto dos doentes”. Já o número de doentes transportados tem vindo a aumentar, ultrapassando os oito mil, em 2017.

Os bombeiros não têm uma explicação objetiva para este aumento a que não serão alheias as políticas nacionais de apoio de transporte aos doentes, que começa a ser mais concedido depois dos cortes nos anos da 'troika'”.

Segundo os dados revelados por Carlos Martins, em 2017 já houve mais atribuição de credenciais para transporte aos doentes, mas 2016 foi um ano marcado por pedidos de ajuda aos bombeiros de pessoas que não tinham dinheiro para as deslocações e que o segundo comandante ainda atribui, em parte, aos efeitos dos anos da crise.

“O que se verificou mais no ano de 2016 foi que havia mais pessoas a pedir-nos para os transportarmos de graça. E nós fazíamos isso, todas as pessoas que nos pediram, nenhuma ficou por ser transportada”, apontou.

Num mais onde as pessoas ainda se conhecem, como é o caso de Bragança, os bombeiros sabiam “quem efetivamente” precisava e chagaram a levar doentes propositadamente aos hospitais centrais sem credencial.

Os bombeiros constataram que algumas vezes as pessoas não beneficiam deste direito ao pagamento por parte do Estado do transporte por desconhecimento e bastou encaminhar essas pessoas para os serviços hospitalares competentes para o problema ser resolvido.

Há outros doentes “que nem querem saber, pura e simplesmente não querem ir”, quando são encaminhados para as especialidades. E ainda quem não vá tratar da saúde por não terem como chegar de casa ao ponto de encontro de onde parte a ambulância de transporte de doentes, regra geral do hospital de Bragança. “Uns por insuficiência monetária, outros por desleixo, outros porque não querem sair da zona de conforto ou por desconhecimento dos direitos”, resumiu Carlos Martins, adiantando que os bombeiros chegam a ir buscar pessoas a casa.

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