A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é uma doença prevalente a nível mundial e nacional – estima-se que afeta 600.000 a 700.000 portugueses. Apesar de ser uma doença crónica prevenível e tratável, ainda é sub-diagnosticada e sub-tratada porque os sintomas são poucos específicos e só aparecem nas fases mais avançadas. Sendo uma doença auto infligida com o hábito tabágico, muitas vezes, as primeiras manifestações são ignoradas e atribuídas ao tabaco.

Embora a DPOC ocupe o 3.º lugar do ranking da mortalidade mundial, pode passar despercebida e evoluir para as fases mais graves sem que tenha sido diagnosticada.

É urgente prevenir e diagnosticar precocemente a DPOC, por isso faz sentido desenvolver ações como a campanha “Viver com DPOC”, promovida pela Fundação Portuguesa do Pulmão, pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia e pela associação Respira.

A DPOC pode ser diagnosticada através de uma espirometria, um exame simples, rápido e indolor que permite avaliar a função respiratória. Depois de uma inspiração completa (depois de encher os pulmões de ar) o doente tem de expirar todo o ar mobilizável, o mais rapidamente possível para um dispositivo que medirá o volume e o débito conseguidos. A prova não só fornece informações sobre a gravidade da doença, como permite acompanhar a evolução e avaliar as respostas aos tratamentos. A avaliação através de exames imagiológicos é também habitual nestes doentes, a tomografia computadorizada do tórax permite uma avaliação mais precisa das estruturas pulmonares, embora na sua falta a simples telerradiografia do tórax seja, muitas vezes, suficiente.

O diagnóstico precoce e o tratamento atempado são essenciais para que os doentes consigam a melhor qualidade de vida possível, já que a DPOC continua a afetar cerca de 384 milhões de pessoas em todo o mundo. Se for fumador faça uma espirometria.

O primeiro fator de risco para o desenvolvimento de DPOC é o tabagismo, 20 a 30% dos fumadores desenvolvem a doença. No entanto, esta não é uma patologia exclusiva dos fumadores, em 10% dos casos a exposição ambiental e ocupacional a agentes externos, tem também sido reportada como fator de risco para esta patologia.

Segundo dados apresentados pelo Observatório Nacional das Doenças Respiratórias, a qualidade do ar influencia fortemente a saúde respiratória, sendo o ozono e as partículas respiráveis os principais poluentes com efeitos nocivos nas vias respiratórias e no pulmão.

Em Portugal a qualidade do ar é em geral boa, mas persiste ainda um número significativo de dias em que a qualidade do ar é média ou mesmo fraca. Nas grandes cidades como Lisboa, apesar de haver áreas mais poluídas do que outras, as populações tendem a centrar a sua vida em zonas limitadas e, portanto, algumas pessoas poderão estar expostas por muitas horas, todos os dias, a ar de qualidade deficiente.

A qualidade do ambiente no interior dos edifícios é também um fator determinante para a saúde respiratória e depende da poluição exterior, das atividades desenvolvidas no interior, da existência de poeiras, esporos e pólenes, de compostos orgânicos voláteis, outros irritantes libertados pelos materiais, da humidade, temperatura, etc. Passamos a maior parte da nossa vida no interior dos edifícios, seja em ambiente laboral, seja nas nossas casas, a qualidade do ar que neles respiramos é fundamental para a nossa saúde. Igualmente importante é prestar atenção à poluição exterior nos locais que frequentamos, já que o ar presente no interior dos edifícios é originário do exterior. Mas dito isto, não podemos deixar de realçar que o tabaco provoca 90% dos casos de DPOC. Se virmos as estatística do lado do fumador devemos lembrar que 20% dos fumadores de um maço e 40% dos fumadores de dois maços diários desenvolvem DPOC.

A DPOC causa uma perturbação ou anomalia nos brônquios e alvéolos. A sua cronicidade e evolução condicionam elevadas taxas de morbilidade e mortalidade, com relevante e crescente impacto socioeconómico. Este inclui o aumento do número de hospitalizações frequentes, aumento do grau de incapacidade para o trabalho e dependência de terceiros, reformas precoces, isolamento social, ansiedade e depressão.

Na Europa, a DPOC representa 50% da despesa na área respiratória com custos anuais em saúde e perda de produtividade que rondam os 141,4 mil milhões de euros.

Além disso, devido à evolução da doença e ao impacto no dia a dia, muitos doentes são forçados a reformar-se antecipadamente. Um estudo revela que 26% indicou ter-se reformado mais cedo devido à DPOC. Sabe-se que 75% das pessoas com DPOC acorda durante a noite devido aos sintomas da doença.

Para atuar sobre a DPOC, o primeiro passo é deixar de fumar, assim como interromper a exposição a eventuais agentes ambientais que possam estar na origem da doença. A maior parte dos doentes faz a terapêutica inaladora com broncodilatadores, fármacos que dilatam os brônquios. Contudo, durante as agudizações, os doentes poderão beneficiar da toma de corticoides via sistémica (oral ou injetável). A oxigenioterapia suplementar e cinesiterapia respiratória podem ou são utilizadas nos casos mais graves.

A vacina da gripe e a antipneumocócica é recomendada, prevenindo a ocorrência de infeções uma vez que a DPOC deixa os doentes mais suscetíveis a infeções respiratórias, que são causa frequente de agudizações.

Um artigo de opinião do médico José Alves, pneumologista e presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão.

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