A bactéria da "legionella" foi detetada em dois dos 13 edifícios do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, mas “não há nenhum doente infetado” ou com suspeita de infeção, disse hoje o presidente da instituição, em conferência de imprensa, após entrevista à Lusa na qual avançou essas mesmas informações.

"Não há qualquer risco para as pessoas internadas", frisou esta manhã o presidente daquela instituição.

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A TVI 24 noticiou hoje que a bactéria responsável pela doença dos legionários foi detetada no IPO de Lisboa.

O presidente do IPO de Lisboa, João Oliveira, afirmou em entrevista à Lusa que “não há nenhum surto de legionelose [doença dos legionários] no IPO” e que “não há nenhum doente infetado, não há nenhum doente com suspeita de infeção”.

“O que aconteceu foi a deteção nas pesquisas normais que se fazem regularmente à presença de ‘legionella’ na água quente” em alguns sítios do hospital, como já aconteceu noutras alturas, disse João Oliveira.

João Oliveira, Médico e presidente do IPO de Lisboa créditos: Lusa/MIGUEL A. LOPES

João Oliveira explicou que “é comum” haver ‘legionella’ nos sítios em que haja água quente, nomeadamente em depósitos, seja nos hospitais ou em casa. “A existência da ‘legionella’ na água é frequente, a existência de doenças por ‘legionella’, designadamente pneumonia, é rara”, frisou.

Nenhum doente sob suspeita

“E é isso que está a acontecer neste momento, nós detetámos ‘legionella’, como é quase impossível não detetar na água, mas não temos nenhum doente sequer que suspeitemos de doença provocada pela ‘legionella’”, disse João Oliveira.

Na sequência da deteção da bactéria, foram tomadas “todas as medidas de precaução” que estão preconizadas nas diretrizes, nomeadamente a colocação de filtros, juntar alguns elementos à água, além de estarem a ser feitos regularmente os choques térmicos que são aconselhados também nestas circunstâncias. “Tomámos essas medidas nos sítios em que agora detetámos a ‘legionella’”, adiantou o presidente do IPO de Lisboa.

Que bactéria é esta?

Também conhecida por doença dos Legionários, a legionela apresenta duas formas clínicas: uma ligeira designada por febre dos legionários (Pontiac), que é uma doença autolimitada entre 3 a 5 dias como se fosse um “resfriado comum”, e outra mais grave que se apresenta sob a forma de pneumonia, explica Luís Manuel Carreiro, médico pneumologista e Coordenador do Serviço de Pneumologia do Hospital dos Lusíadas.

A batéria Legionella Pneumophila está associada ao meio aquático e necessita de algumas condições para o seu crescimento, como água estagnada e temperaturas entre os 25 e os 55º C. Estes dois elementos  associados à capacidade de produção de gotículas por aerosssol propiciam a inalação de gotículas de água contaminada que  se deposita nos pulmões. A transmissão não se faz de pessoa para pessoa, ou seja, só pode ocorrer transmissão da doença por via da inalação de gotículas de água contaminada.

Os reservatórios com água contaminada que mais frequentemente estão associados a este tipo de  surtos são as torres de arrefecimento, as condutas de ar condicionado, os condensadores e todos os equipamentos que envolvam água contaminada e produção de gotículas.

Os homens são mais atingidos do que as mulheres numa proporção de 3 para 1 e a idade com maior prevalência é habitualmente acima dos 50 anos. A idade pediátrica é raramente atingida. As crianças com legionela têm quase sempre doenças graves que são o elemento determinante para o aparecimento da mesma, explica o médico.

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Os fatores de risco são a idade, a doença crónica respiratória, os hábitos tabágicos e outras doenças crónicas que diminuem as defesas do organismo.

Os sintomas

Os sintomas são gerais, respiratórios, gastrointestinais e neurológicos: calafrios, febre elevada, dores de cabeça, dores musculares, dores articulares, tosse por vezes com expetoração raiada de sangue, dor torácica, dificuldade respiratória, náuseas, vómitos, diarreia e alterações do sistema nervoso central, como confusão  e agitação.

O diagnóstico da Legionella Pneumophila de serotipo 1 é rápido e faz-se através de uma análise específica da urina cuja análise pode demorar entre 20 a 30 minutos.

O tratamento é feito com antibióticos específicos e deve ser o mais precoce possível. No tratamento, estão ainda incluídas outras medidas de suporte que dependem do grau de gravidade da doença, podendo mesmo levar à ventilação assistida e  internamento em cuidados intensivos.

A evolução na maioria dos casos é favorável. Alguns doentes ficam com sequelas pulmonares.

com Lusa

notícia atualizada às 11h59

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