Segundo os resultados preliminares do estudo do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), a percentagem da população portuguesa com anticorpos (seroprevalência) à doença é estimada em 2,9%.

Para Ana Paula Rodrigues, estes valores indicam que houve “uma baixa circulação do novo coronavírus na população portuguesa muito provavelmente relacionada com as medidas de saúde pública instituídas logo no início da epidemia”.

“Este valor encontra-se próximo de outros estudos que foram realizados a nível local no nosso país e também em linha com outros estudos internacionais”, afirmou a investigadora na conferência de imprensa de atualização de informação relativa à covid-19.

O estudo aponta que a seroprevalência de 2,9% na população portuguesa é “um valor inferior ao necessário para alcançar uma potencial imunidade de grupo”, que, segundo a investigadora, será entre os 40 a 70% da população.

Há “diversos modelos matemáticos que apontam que é necessário, para atingir uma potencial imunidade de grupo, à volta de 40 a 67, 70% da população imune”, disse, admitindo não saber “se é possível alcançar estes valores”.

Para a investigadora, os resultados obtidos recomendam que “sejam mantidas todas as medidas de precaução e de proteção individual e coletiva”.

“O facto de termos um nível baixo de anticorpos na população em geral indica-nos também que se mantém a necessidade de repetirmos estes estudos periodicamente de maneira a ver como evolui e se há diferenças que, entretanto, sejam mais notadas”.

A investigadora destacou que Lisboa e Vale do Tejo teve uma seroprevalência de 3,5%, mas observou que era a região de saúde, à data do estudo, como maior número de casos.

Já a região do Alentejo, foi a que registou o nível mais baixo (1,2%).

“Embora estas diferenças não tenham significado estatístico, quer isto dizer que não podemos interpretar que haja diferenças significativas e importantes entre as regiões de saúde”, vincou.

O estudo revelou igualmente “um valor mais elevado de anticorpos nas pessoas com ensino secundário face àquelas que tenham ensino superior ou outros níveis de ensino”, o que pode estar relacionado com o facto de poderem ter sido estas pessoas que trabalharam mais neste período e tiveram um maior número de contactos.

“Naturalmente o nível de anticorpos foi mais elevado” nos que referiram ter tido um contacto prévio com um caso suspeito ou conhecido de covid e nas pessoas que relataram alguma sintomatologia anterior que possa ser relacionada com a covid-19.

Os dados indicam também que a proporção de pessoas com anticorpos é superior ao número de casos reportados pelo Sistema Nacional de Vigilância, um dado que já era esperado e que se justifica pelo facto de algumas pessoas terem sintomas mais ligeiros e fazerem o isolamento profilático em casa sem procura de cuidados.

O estudo, que teve como objetivo principal estimar a extensão da infeção na população portuguesa, decorreu entre 21 de maio e 08 de julho, e contou com 2.301 participantes maiores de um ano.

Os testes foram feitos em 96 laboratórios e 18 hospitais do Serviço Nacional de Saúde parceiros no estudo.

Em Portugal, o primeiro caso confirmado de covid-19 foi notificado no dia 02 de março. Desde então, foram notificados 45.477 casos confirmados e 1.644 óbitos, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.

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