Recusando que desta forma esteja a incumprir a norma que a Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou na sexta-feira, o médico do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ) explicou que “é natural que nos próximos dias e semanas existam perturbações com aumento potencial do número de casos [de covid-19]”, o que se traduz em taxas de positividade “que merecem atenção”, razão pela qual considera “necessário” manter os circuitos e as áreas implementadas nos últimos dois anos.

“O que a DGS determina é a cessação da obrigatoriedade da existência das áreas dedicadas, mas determina, ao mesmo tempo, que é necessário que cada serviço de urgência mantenha áreas especificas para doentes suspeitos e confirmados. Dá liberdade a cada instituição para, avaliando e epidemiologia da doença e as suas condições no momento, fazer as adaptações que forem necessárias”, referiu.

A DGS emitiu na sexta-feira, e com efeitos desde sábado, uma norma que determina que as unidades ou serviços hospitalares ‘livres de covid’ e as áreas dedicadas a doentes com infeção respiratória (ADR), criadas no âmbito da pandemia, sejam desativadas.

A medida foi justificada com a evolução favorável da situação epidemiológica e elevada proteção da população conferida pela vacinação contra a covid-19, reduzindo o risco de doença grave, hospitalização e morte por esta doença, mas ressalvou que as estruturas podem ser reativadas “caso se antecipe ou verifique agravamento da situação epidemiológica”.

Em declarações à agência Lusa, o diretor da Unidade Autónoma de Gestão de Urgência e Medicina Intensiva do CHUSJ frisou que, “com naturalidade e interpretando a liberdade que a norma confere”, foi decidido “não alterar os circuitos e espaços organizados” no hospital.

Esta decisão teve também em conta a análise da situação atual, a qual “se traduz num número muito elevado de doentes com queixas respiratórias que ainda procura todos os dias o serviço de urgência”, acrescentou.

“Estamos a falar de cerca de 80 doentes por dia e de uma percentagem de positividade entre os 20 e os 25% e que cresceu nos últimos dias”, enumerou.

À “liberdade” da norma e à análise epidemiológica, Nelson Pereira juntou outro aspeto que justifica a manutenção das ADR no CHUSJ: “Continuamos a ter uma urgência cronicamente sobrelotada”, disse.

Sobre o aumento de casos e a taxa de positividade, o diretor da Unidade Autónoma de Gestão de Urgência e Medicina Intensiva deste hospital do Porto falou da diminuição do uso de máscara, de uma “sensação de maior liberdade e de fim de pandemia”, no aumento de contactos desprotegidos e na diminuição “a pique” do número de testes.

“Pesados todos os fatores, e na perspetiva de mantermos o máximo de segurança possível para os nossos doentes, a decisão é manter o que estava”, sintetizou.

Assim, no Hospital de São João pessoas com queixas respiratórias continuam a ser identificadas no que nesta unidade de saúde se chama “triagem avançada”, que, na prática, se trata de uma pré-triagem feita por um enfermeiro no momento de chegada do utente ao serviço de urgência.

Encaminhados para as áreas de doentes respiratórios, esses utentes fazem um teste de antigénio que permite, descreveu à Lusa Nelson Pereira, que “muito rapidamente quem tem teste negativo possa sair dessa área e os positivos [ali] se mantenham”.

“Podemos gerir o todo da urgência com mais segurança para os utentes”, sublinhou.

Questionado sobre se considera que a DGS se precipitou ao publicar esta norma, Nelson Pereira disse confiar “plenamente na avaliação técnica das autoridades”, mas criticou o momento e a “premência” de uma norma publicada a uma sexta-feira para entrar em vigor à meia-noite do dia seguinte.

“Eu não teria feito isto neste momento”, disse.

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