"Temos, neste momento, um modelo protótipo pronto e testado pelo Viva Lab do Porto e a matéria-prima necessária para a produção de 4.500 viseiras de proteção de covid-19. Já estamos a produzir, por dia, pelo menos 500 viseiras", disse hoje à Lusa Rafael Freitas

O arquiteto de Ponte da Ponte da Barca é um dos 11 elementos do grupo que inclui voluntários do concelho vizinho de Arcos de Valdevez, "todos com idades entre os 20 e os 30 anos e de diferentes áreas profissionais".

"Há estudantes, 'designers', arquitetos, advogados, engenheiros informáticos. Conhecíamo-nos uns aos outros e a ideia de começar a produzir material de proteção individual surgiu de um projeto do Viva Lab do Porto que partilhei no Facebook de colegas, em jeito de desafio. A rede começou a ganhar forma. Ninguém foi convidado. Todos se ofereceram, voluntariamente para ajudar", explicou.

Àquele movimento cívico juntou-se a empresa Tiagus, de 'design' gráfico.

"Utilizamos a máquina de corte laser da empresa, que está a oferecer os seus serviços de forma gratuita sete dias por semana", contou.

A linha de produção foi montada num espaço cedido pelo FAB LAB Alto Minho na In.Cubo - Incubadora de Iniciativas Empresariais Inovadoras, em Arcos de Valdevez. Criada em 2007, aquela incubadora de iniciativas empresariais é participada pela Câmara de Arcos de Valdevez, pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) e pela Associação para o Centro de Incubação de Base Tecnológica do Minho (ACIBTM).

"O custo estimado para esta produção inicial é de dois mil euros, o que resulta em cerca de 45 cêntimos por viseira que serão oferecidas por nós. Para isso dependemos de donativos da matéria-prima. Algum do material que recebemos até agora foi-nos oferecido por empresas privadas e pela Câmara de Arcos de Valdevez", explicou Rafael Freitas.

O arquiteto adiantou que a produção "segue todos princípios de boas práticas de higiene de modo a garantir a segurança do Equipamento de Proteção Individual (EPI) a distribuir, de forma gratuita pelas redes de hospitais do Alto Minho, Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) lares, bombeiros, etc."

"O processo que seguimos é muito simples mas de alto rigor no que toca à qualidade, higiene e segurança do produto. Os passos são: corte laser, limpeza, colar esponja, colocar elásticos, desinfeção, embalamento. A entrega será coordenada pelos municípios e hospitais do distrito", explicou.

Para mostrar o trabalho que está a ser feito e apelar à doação de matéria-prima, o grupo criou uma página no Facebook, intitulada "Voluntariado Alto Minho".

"Comunicamos através da nossa página de Facebook, onde vamos publicando o material que vamos precisando à medida que esgota, recebendo depois soluções dos mais variados setores da sociedade, desde particulares, empresas, municípios, IPSS. Pretendemos continuar a oferecer material e ampliar o nosso leque de oferta, estando já a estudar soluções para máscaras feitas em Tecido-Não-Tecido (TNT)", referem os onze voluntários nas publicações que fazem diariamente.

"Apelamos a voluntários que tenham acesso ao fornecimento de TNT ou que tenham 'stock' de sacos de compras do mesmo material, que nos façam doação para produzir máscaras", pedem através da rede social.

O grupo acrescenta que tem "recusado visitas presenciais de jornalistas e outras entidades, para não comprometer a segurança do espaço, do produto e dos voluntários".

"Temos feito os possíveis por responder por videoconferência ou escrito. Neste momento, o mais importante para nós é poder continuar a dar resposta às necessidades da sociedade, oferecendo EPI aos que mais precisam", sustentam.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 791 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 38 mil.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 160 mortes, mais 20 do que na véspera (+14,3%), e 7.443 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 1.035 em relação a segunda-feira (+16,1%).

Dos infetados, 627 estão internados, 188 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 43 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

Além disso, o Governo declarou no dia 17 o estado de calamidade pública para o concelho de Ovar.

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