“Decidimos vacinar-nos porque nos parece lógico ser vacinado para não apanhar o vírus. Por nós e pelos outros. Temos muito mais confiança quando vamos visitar um sítio, porque não temos medo”, disse Marie, que esperava a sua vez de entrar no Museu do Louvre, em declarações à Agência Lusa.

Esta francesa de 70 anos partiu de Nantes há três semanas com o marido para umas férias dentro de fronteiras e o anúncio, feito na semana passada pelo Presidente Emmanuel Mácron, da obrigação de um passe sanitário para entrar em locais públicos com mais de 50 pessoas a partir de hoje, apanhou-a desprevenida.

“Ainda não temos a aplicação para o telefone, mas temos o nosso certificado de vacinação em papel, portanto não vamos ter problemas a entrar”, garantiu Marie.

A partir de hoje, museus, cinemas, mas também bibliotecas, piscinas e ginásios em França só vão ser acessíveis a quem tiver a vacinação completa há mais de sete dias, a quem apresenta um teste PCR ou antigénico negativo com menos de 48 horas ou um teste positivo com mais de duas semanas e menos de seis meses – considerando as autoridades francesas que neste caso a pessoa tem imunidade e risco limitado de contrair Covid-19 e de contaminar outros.

Com a introdução deste novo controlo, que se vai aplicar a partir de 01 de agosto também em bares e restaurantes, o ministro anunciou que em locais fechados pode deixar de se usar a máscara. No entanto, grandes museus, como o Louvre, decidiram manter a máscara, assim como a cadeia de cinemas UGC.

Uma decisão que preocupa os epidemiologistas, já que a França entrou oficialmente na quarta fase do vírus, embora ainda não seja visível no quotidiano dos parisienses.

“Ainda não sinto nada, por enquanto. Pelo que temos ouvido, a quarta vaga está aí e esta história do vírus não acabou. Vai haver uma quinta, uma sexta e quem sabe quantas mais? Eu espero que seja mesmo tudo bem controlado como à saída do primeiro confinamento. É do interesse de todos nós”, defendeu Patrícia, completamente vacinada, que aguardava também na fila do Museu do Louvre.

Patrícia é parisiense e está completamente vacinada. Veio ao emblemático museu da capital com duas amigas que estão de férias. Uma delas teve de fazer um teste ao SARS-Cov-2 já que levou a segunda dose da vacina há menos de sete dias.

“Não sei se me sinto mais em segurança por saber que toda a gente à minha volta está vacinada ou testou negativo, mas não há escolha. Se queremos fazer coisas, temos de ter o passe sanitário”, sublinhou a parisiense.

Mas nem toda a gente sabia. Na fila para o Louvre, Valeria e as amigas, vindas do México para quatro dias em Paris, souberam através da Agência Lusa desta medida.

“Não sabíamos, duas de nós estão vacinadas, mas a nossa amiga tem um teste, que foi o teste com que chegámos aqui”, explicou a mexicana, explicando que a vacinação no seu país decorre “a um bom ritmo” e sem contestação.

Ao mesmo tempo que o passe sanitário nacional entra em vigor, os protestos contra esta medida decorrem em várias cidades franceses todos os fins de semana.

Os manifestantes falam de ditadura, de imposição e alguns compararam mesmo esta medida à imposição da estrela de David aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial, uma comparação que causou mal-estar políticos e críticas por parte das associações de vítimas do Holocausto em França.

“Acho este debate à volta do passe sanitário ridículo. É preciso que as pessoas se vacinem senão o vírus vai continuar a propagar-se e nunca mais vamos sair disto”, conclui Marie, cujo um dos filhos decidiu não se vacinar e deixou de participar nas reuniões familiares.

Desde o anúncio de Emmanuel Macron, mais de quatro milhões de franceses marcaram a primeira dose da vacina e o Governo tem como meta ter pelo menos 40 milhões de habitantes vacinados com a primeira dose até ao fim do mês de julho.

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