Nos hospitais franceses há atualmente 3.626 pessoas internadas com o vírus e 921 estão nos serviços de reanimação, com Salomon a chamar a atenção para o facto de algumas destas pessoas terem menos de 65 anos.

Tal como acontece desde terça-feira, esta conferência de imprensa diária aconteceu através de video-conferência e as perguntas dos jornalistas foram feitas através de telefone e internet.

O diretor-geral da Saúde de França apelou ainda esta quarta-feira à doação de sangue e disse que as reservas de glóbulos vermelhos dão para os próximos 15 dias e as de plaquetas para 10 dias.

Mais de 4.000 multas por violar quarentena em França. Ministro avisa que é para cumprir

O ministro do Interior francês, Christophe Castaner, disse hoje que nas primeiras 36 horas de quarentena reforçada a polícia multou mais de 4.000 pessoas por circularem na rua sem apresentarem a declaração justificando o motivo.

"O nosso objetivo não é sancionar, é proteger os franceses e a melhor maneira de os proteger é convencê-los a ficar em casa, mas temos de ter um elemento de pressão e é por isso que a polícia está mobilizada", indicou o governante numa entrevista esta noite na televisão francesa.

Para circularem na via pública, os franceses precisam de se fazer acompanhar de uma declaração, disponível no site do ministério do Interior, que eles próprios preenchem e onde justificam a saída, declarando por sua honra que não estão a violar as regras em vigor, e que terão de mostrar se abordados pelas autoridades.

Segundo Castaner, a polícia passou mais de 4.095 multas, que começam nos 135 euros e podem chegar quase a 400, em todo o país. As multas podem ser aplicadas caso as pessoas estejam na rua e não apresentem uma justificação para a sua deslocação - os franceses podem sair de casa para trabalhar, ir às compras, ao médico, prestar serviço a um familiar dependente e fazer curtas sessões de exercício físico - ou caso esta esteja mal preenchida.

"Podemos sair, porque não vamos ficar sempre fechados, mas evitamos fazê-lo em grupo. Não vamos jogar futebol com os nossos amigos. Se for necessário, vamos sancionar mais", avisou o ministro.

Para sair, é preciso ter a declaração em papel e preenche-la todos os dias, assinando-a. Este método é muito contestado porque muitas pessoas não têm impressora em casa, no entanto, o ministro recusou a ideia de ter o documento no telefone.

"Desde logo, as empresas que distribuiriam o justificativo aproveitariam para se apropriar dos dados dos utilizadores. Depois queremos evitar que as pessoas manipulem os telefones e para mostrar aos polícias, podiam estar a contagiá-los”, lembrou.

Apesar de todos os espaços comerciais não alimentares estarem fechados, os mercados a céu aberto continuam abertos, com alguns a serem ainda muito frequentados. O ministro sugeriu aos autarcas, que regulam estes mercados, que proíbam vendedores cuja mercadoria não é alimentar e assegurarem-se que as medidas de segurança sanitária estão a ser cumpridas.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou mais de 210 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 8.750 morreram.

Face ao avanço da pandemia, vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras. Em Portugal, que aprovou hoje a declaração do estado de emergência, o número de casos confirmados de infeção subiu para 642, havendo dois mortos.

Acompanhe aqui, ao minuto, todas as informações sobre o novo coronavírus em Portugal e no mundo.

Coronavírus: qual a origem?

 Notícia atualizada às 20h36 com multas em França.