O presidente do conselho diretivo da ARS/Algave, Paulo Morgado, afirmou à Lusa que “não há perigo de o Algarve fechar, de o Alentejo fechar ou de o país fechar” porque o que se verifica “neste momento é o aparecimento de pequenos surtos aqui e acolá”, o que pode acontecer em qualquer “ponto do território nacional” ou em outros países.

A Ordem dos Médicos defendeu hoje a necessidade de intensificar uma campanha de sensibilização para as regras de segurança face à covid-19 no Algarve, apontando que uma eventual cerca sanitária é decisão da tutela, mas ouvindo os autarcas.

O presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, também defendeu hoje, em entrevista ao Diário de Notícias, medidas mais rigorosas para a zona do Algarve, dizendo que se houver um surto de 100 casos em Faro ou em Portimão tinha que se “fechar o Algarve".

“São declarações alarmistas. Neste momento, a situação da pandemia e da epidemia em Portugal não está completamente controlada, é verdade, mas estamos numa fase descendente da curva. Podemos vir a ter uma segunda onda, como outros países onde a doença existe, mas se essa onda vai ser maior ou menor, ninguém sabe e ninguém é capaz de prever”, disse o presidente da ARS.

Paulo Morgado assegurou que “o Algarve tem capacidade de resposta”, como “teve para a primeira onda” da pandemia, quando “nunca esteve perto de esgotar a capacidade instalada” para tratar os doentes infetados pelo novo coronavírus.

“Temos capacidade para ter cerca de 250 doentes covid internados nos nossos hospitais e o máximo que tivemos foi um décimo disso, em termos de capacidade de internamento”, exemplificou, considerando que, “num surto de 100 pessoas, se calhar, só 10 é que precisam de internamento”.

Paulo Morgado assegurou que, “para já, não há nenhum surto de 100 pessoas” e “está-se longe” desses números, acusando a Ordem dos Médicos do Sul de tomar uma “posição que é alarmista e não tem adesão à realidade”.

“Qualquer surto, mesmo um de 100 pessoas, que já teria algum significado, não geraria 100 internamentos, a esmagadora maioria destas pessoas ficaria em casa em isolamento de contactos, em seguimento pelo médico de família. Neste momento, na região temos zero doentes com covid-19 em cuidados intensivos e temos só seis doentes internados. E os doentes que temos internados não são até doentes com gravidade”, argumentou.

Paulo Morgado disse que o caso do surto existente em Lagos “está e vai ser controlado”, porque está em curso uma ação de testagem que já permitiu a realização de “mais de 500 testes” de diagnóstico a pessoas que estiveram na festa ou a contactos próximos, sobretudo nos concelhos de Lagos e Portimão, “onde residem a maior parte dos casos relacionados com este surto”.

“A percentagem de positivos é baixa e temos a certeza que vamos conseguir controlar a situação com a estratégia que está em marcha. As nossas capacidades são mais do que suficientes para dar resposta a esta situação”, disse ainda o presidente da ARS, sem precisar o número exato de infetados já detetado relacionado com o surto de Lagos.

Segundo as informações divulgadas na quarta-feira pela autarquia sobre aquele foco de infeção, relacionado com uma festa ilegal realizada em 7 de junho no salão de festas do clube desportivo de Odiáxere, o número de infetados subiu para 37.

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