O Bundesrat, a Câmara Alta do Parlamento, adotou o plano hoje, depois do Bundestag (Câmara Baixa) na quinta-feira, traduzindo um forte sinal num país que há muito se opõe a qualquer mecanismo de dívida comum no seio da União Europeia.

“Esta votação é um sinal claro para uma Europa forte e unida”, disse o ministro das Finanças alemão Olaf Scholz.

O plano, que foi cuidadosamente negociado no verão passado pela UE-27, foi concebido para lidar com as consequências económicas da nova pandemia de coronavírus na Europa.

Baseia-se num mecanismo sem precedentes de dívida comum para todos os Estados-membros e parte do dinheiro será pago sob a forma de subvenções (312.500 milhões), especialmente para os países que sofreram o impacto mais pesado.

O voto dos deputados alemães era aguardado com expectativa: o país há muito que se opõe ferozmente a qualquer dívida comum na Europa por temer que os Estados mais endividados beneficiassem injustamente dos esforços financeiros dos países mais duramente atingidos.

Mas a pandemia do novo coronavírus, que está a atingir duramente a economia europeia, inverteu a posição e Angela Merkel acabou finalmente por aprovar esta ideia, há muito defendida pela França em particular.

Depois de várias semanas de debates, marcados por fortes tensões com os chamados países denominados “frugais”, liderados pela Áustria, que se mostraram relutantes em aceitar este mecanismo, o plano foi adotado no verão passado.

Foi formalmente aprovado na sexta-feira passada pelas instituições europeias depois da luz verde final dos eurodeputados na quarta-feira.

Agora o programa ainda precisa de ser ratificado por todos os Estados membros.

A Comissão Europeia apelou para uma aceleração deste processo, especialmente porque a pandemia continua em força e continua a atingir a economia europeia, onde a campanha de vacinação está atrasada.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, disse também na quinta-feira que a Europa terá de “melhorar” e “completar” este plano, para que a recuperação seja “mais vigorosa”, numa crítica à lentidão das instituições europeias.

O Comissário do Orçamento da UE, Johannes Hahn, prometeu esta semana numa entrevista ao diário alemão Die Welt que os primeiros empréstimos seriam feitos “no início do segundo trimestre” deste ano.