Especialista mundial em Cirurgia Plástica vai abrir uma clínica em Portugal
Luiz Toledo, Cirurgião Plástico brasileiro créditos: DR

O impacto das TI - Tecnologias de Informação - pode ser observado em diversas áreas da sociedade, ciências e na vida do quotidiano. Lembro-me de, em 1989, quando estava a escrever capítulos para um livro e precisava de referências, de ir à Biblioteca Médica em São Paulo e requisitar todos os livros que queria pesquisar, lê-los um por um, pôr um autocolante nas páginas que precisava de copiar, escrever em triplicado com papel de carbono, levá-los à sala das fotocopiadoras e copiá-los, um processo que poderia levar dias a completar dependendo do assunto que estava a pesquisar.

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Quando a internet chegou, tornou as coisas mais fáceis, no entanto, os primeiros websites a disponibilizar informações de bibliotecas médicas eram difíceis de consultar e caros. Com as bibliotecas a instalar computadores para os leitores, pelo menos a pesquisa tornou-se mais acessível. Na última década, no entanto, a informação tomou uma velocidade estonteante, não apenas para pesquisa na comunidade médica mas também na interação médico-doente que mudou completamente.

Hoje, com o aumento do turismo médico, os doentes tendem a viajar mais para encontrar o tratamento e médico certos para o seu problema. Isto é especialmente verdade com a cirurgia plástica, uma área onde o aspeto visual é muito importante, juntamente com a função, e onde a pesquisa médica se tornou acessível a todos. Os doentes hoje são geralmente bem informados e todos os dias recebo pedidos para um tratamento do qual nunca ouvi falar, mas que pode ser encontrado online por qualquer pessoa curiosa com um smartphone. Por exemplo, alguém com peitos pequenos vai ler tudo o que precisa de saber antes de ir ao cirurgião plástico e durante a consulta irá discutir todas as suas opções.

“Mas porque prefere que o implante seja sub-glandular, doutor? Li que o sub-muscular é muito melhor para o meu caso.” ou “porque não está a usar um implante anatómico? Li que é muito melhor dado que quero um look ‘natural’.” E sobre as incisões? “Porque não gosta da técnica TUBA?” TUBA?, pergunto eu. “Sim, aumento de peito trans-umbilical (Trans-Umbilical Breast Augmentation),” responde.

No meio da informação disponível mais recente, o médico deve manter-se atualizado com explicações convincentes para apoiar o seu diagnóstico e tratamento proposto. Felizmente, o mesmo sistema usado para informar doentes é também usado para informar médicos. Muitos congressos e publicações podem hoje ser encontrados online. Os médicos estão agora a formar grupos de estudo online, normalmente num grupo de WhatsApp de especialistas, uma espécie de quadro médico, e sempre que são confrontados com um caso difícil podem encontrar soluções ao consultar com colegas cirurgiões no grupo, com a vantagem de que junta médicos de vários continentes e a resposta é normalmente imediata.

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Técnicas cirúrgicas podem ser vistas no YouTube não só por médicos mas por qualquer pessoa que tenha a coragem para ver uma cirurgia ao vivo, e acreditem, muitas pessoas vêem horas de um lift corporal completo online, uma cirurgia que mesmo feita pelo melhores médicos, pode parecer um banho de sangue. Estes doentes irão agora discutir se os pontos são absorvíveis e quantos dias irá demorar até poderem voltar ao seu estilo de vida normal. Doentes que nunca fizeram exercício querem saber quando podem “voltar” ao ginásio. Pelo menos mostra que aprenderam algo bom na pesquisa…

Os doentes de turismo médico tinham um problema. Enviavam um email e faziam questões sobre uma técnica específica. Eu respondia a pedir informações básicas sobre a sua saúde, idade,altura, peso, etc. Também pedia para enviar algumas fotografias deles mesmos e as áreas onde queriam tratamento, para poder analisar o problema. Enviava a minha apreciação do que teria de ser feito, com a duração da estadia no país, os custos, tudo obviamente dependendo da consulta real quando chegassem - mas depois as consultas começaram a acontecer no Skype. Não gosto por 2 motivos: é dificil cobrar e os doentes nunca se cingem ao tempo alocado (normalmente 30 minutos) e tendem a prolongar por algum tempo. Prefiro consultas cara a cara.

Incluo sempre o meu número de telemóvel nos cartões de visita para que os doentes possam facilmente contactar-me em caso de emergência. Agora com o WhatsApp tornou-se um pouco incómodo, pois pessoas que não são meus doentes, que andam “às compras” de cirurgia plástica (normalmente para encontrar o preço mais baixo) enviam mensagens para vários médicos à espera que todos eles respondam, sem pagar por uma consulta. Aprendi cedo no meu percurso que não cobrar por uma consulta é percebido como anti ético, visto como prejudicando o trabalho dos pares. Deve haver competição justa na nossa profissão. No final de contas, é a nossa profissão e devemos ser pagos por fazê-la.

Uma palavra de atenção aos doentes: não acreditem em tudo o que lêem na internet. Não há censura e não há ninguém a regular o que outros médicos publicam. Se algo que lê é bom demais para ser verdade, provavelmente é.

Um artigo de opinião do médico e cirurgião plástico Luiz Toledo.

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