“O centro de saúde está a funcionar numa situação deplorável. Ao longo destes 21 anos de existência do centro de saúde nunca se fez ali uma manutenção, nunca se gastou praticamente, digamos, um cêntimo, na manutenção daquele edifício”, apontou Rogério Abrantes.

O presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal (PS), distrito de Viseu, contava à agência Lusa que “ainda há dias” um utente lhe enviou fotografias, de uma casa de banho do centro de saúde, que “mostravam o rolo de papel higiénico pendurado num cordão, sanitas sem tampa, ausência de torneiras”.

“Isto demonstra bem o estado a que chegou aquele edifício. Começando pelo telhado que mete água; a tubagem ainda é em tubo galvanizado e começam a aparecer problemas na canalização das águas; as janelas e estores, enfim, está tudo partido; o ar condicionado não funciona; as casas de banho estão uma miséria”, enumera.

Neste sentido, Rogério Abrantes questiona a transferência de competências prevista até janeiro de 2021 e não esconde que já contou o “estado em que o centro de saúde está” ao antigo secretário de Estado e à ministra da Saúde.

“Se em janeiro nos entregarem o edifício como está previsto, sinceramente não sei o que é que a câmara poderá fazer naquele edifício”, assumiu o autarca, que questionou “que manutenção é que uma câmara pode fazer num edifício que está completamente destruído?”.

O autarca socialista adiantou que tem “um orçamento para a reparação daquele edifício, para o colocar como deve ser, que ronda os 700 mil euros”, mas, acrescentou, “não se faz manutenção numa casa de banho toda partida”.

“Se é entregue com a torneira em condições e ela depois parte, a câmara vai fazer a manutenção, mas eu não posso fazer a manutenção de um telhado que mete água por todo o lado, só tenho uma hipótese que é substituir o telhado, mas isso não é manutenção”, reforçou.

O diretor do Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) do Dão-Lafões, António Cabrita Grade, explicou à agência Lusa que “o estado de degradação não corresponde a isso” e que “o quadro não é pesado, mas tem, de facto, problemas”.

“Numa situação de negociação, cada um de nós tentará defender os nossos posicionamentos particulares, entendo isso, mas o edifício não está assim a cair, tem sim algumas inconformidades e algumas insuficiências por falta de manutenção”, considerou.

António Cabrita Grade contou ainda à agência Lusa que “houve um período de intervenção no edifício” apesar de reconhecer que “não foi tanto como desejado” e que “nos últimos oito anos não foi feita nenhuma”, até tendo em conta o período de “recessão económica”.

No seu entender, “as incapacidades” atuais do edifício do centro de saúde passam pela “necessidade de algumas retocagens, pinturas internas e algumas infiltrações que também acontecem em obras novas”.

“Durante este ano e nos próximos anos, com a transferência de competências para as câmaras, a situação será regularizada. Foi-nos apresentado um orçamento despropositado e estamos a fazer a manutenção com os meios que temos, desde que nos seja comunicada a situação”, explicou António Cabrita Grade.

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