A ambliopia é a principal causa de diminuição da visão em crianças e adultos jovens, sendo a sua prevalência de 1 a 5%, e é a principal causa de “cegueira” monocular entre os 20 e 70 anos de idade, nos países desenvolvidos. Em termos estatísticos, os adultos com ambliopia têm um maior risco de perderem a acuidade visual do olho bom, normalmente relacionado com acidentes de trabalho. A ambliopia e a falta de visão binocular consequente, levam a dificuldades na vida quotidiana dos doentes quer a nível pessoal quer a nível profissional.

A ambliopia desenvolve-se durante o período sensitivo da maturação da visão sendo recuperável apenas durante este período. Assim quanto mais cedo for detetada, melhor e mais fácil é o seu tratamento e recuperação.

Há várias patologias que podem levar ao desenvolvimento da ambliopia, sendo as mais frequentes, os erros refrativos (hipermetropia, miopia, astigmatismo), a anisometropia (que consiste num erro refrativo diferente entre um olho e o outro) e o estrabismo. Se este último é frequentemente notado pelos pais e cuidadores da criança, os outros passam muitas vezes despercebidos, sendo diagnosticados apenas em consultas ou rastreios visuais.

Em Portugal está instituído e implementado em grande parte do país, o Rastreio de Saúde Visual Infantil (RSVI), realizado nos centros de saúde aos 2 e 4 anos de idade. As crianças são convocadas para se deslocarem ao centro de saúde, onde através de um aparelho específico, um fotovideorefractómetro, são realizadas “fotografias” aos seus olhos. Estas fotografias são depois interpretadas por um oftalmologista treinado e se houver a suspeita de alguma patologia possível de causar ambliopia, as crianças são convocadas para uma consulta hospitalar.

O tratamento da ambliopia depende da sua causa, mas frequentemente passa pelo uso de óculos para correção do erro refrativo e penalização do olho bom para forçar o olho com pior visão a desenvolver-se. Esta penalização pode ser realizada através de pensos ou gotas. Se houver um estrabismo poderá ser necessária a sua correção cirúrgica.

Se a criança não realizar o RSVI, os pais deverão levá-la a uma consulta de oftalmologia entre os 2-3 anos, ou antes se notarem alguma alteração comportamento visual da criança, ou se existiram problemas no seu desenvolvimento global ou um histórico familiar oftalmológico relevante.

As explicações são da médica Madalena Monteiro, oftalmologista, coordenadora do Grupo Português de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo de Sociedade Portuguesa de Oftalmologia.

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