Estava a folhear uma dessa revistas que vêm com os jornais no fim de semana, recheadas de sugestões de passeios, lazer, restaurantes – enfim, toda uma panóplia de tentações –, quando me deparei com uma receita de um chef. Apesar de ser um chef muito conhecido, o prato era bastante simples, despretensioso, mas a julgar pela fotografia, cheio de bons ingredientes e sabor.

O som para este momento

O que me impressionou naquela receita, porém, não foram as cores, nem a técnica, muito menos a fotografia do sorridente chef ao lado da sua criação. Foi, tão simplesmente, a massa utilizada. Eram umas massas em forma de concha, enormes, gigantes, que assumiam um incrível lugar de protagonismo no meio do prato.

E foi nesse preciso momento que viajei até à minha adolescência, até àquelas tardes em que me entretive a ler “As Viagens de Gulliver”. Na verdade, aquela massa gigante da receita parecia-me saída dessa história, como se fosse o almoço de Gulliver em terras de Lilliput.

Pus-me a imaginar que uma só daquelas conchas daria para alimentar um liliputiano por uma semana! E não pude deixar de sorrir com estes meandros da minha imaginação, sentindo-me de repente muito leve e contente, como se voltasse de facto a ter 12 anos e nenhuma preocupação na vida além de imaginar histórias improváveis.

Rasguei a página com a receita da revista e guardei-a no meio da minha agenda. Iria procurar aquelas massas gigantes. Com certeza, não eram um segredo exclusivo do chef! Imaginei-me a cozinhar aquele prato, quem sabe, a servi-lo aos meus convidados para jantar, e a surpreende-los com um prato tão fora do comum. Afinal, há alturas em que ter a mania das grandezas pode ser algo muito saboroso!

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