No último dia da semana de alta-costura em Paris, Rossy de Palma, musa do cineasta Pedro Almodóvar, protagonizou o desfile de Juana Martín com um longo casaco bordado.

"Estou muito orgulhosa da Juana. Sempre a acompanhei, vi todo o esforço que fez, o seu trabalho, o seu talento", declarou Rossy à Agência France-Presse (AFP) pouco antes do desfile.

Couro e chapéu andaluz

Aos 47 anos, Juana Martín é a primeira espanhola a entrar no mundo exclusivo da alta-costura, e primeira cigana a alcançar o auge dos criadores de moda.

Boa parte das peças que Juana apresentou em Paris eram pretas, e os brincos enormes de prata em formato de rosas deram à coleção “a luz da Andaluzia”, explicou à AFP.

Juana Martin haute couture 2022
A model presents a creation for the Juana Martin Women's Haute Couture Fall Winter 2022-2023 collection show as part of the Fashion Week in Paris on July 7, 2022. (Photo by Geoffroy VAN DER HASSELT / AFP) créditos: Geoffroy VAN DER HASSELT / AFP

Os folhos subtis evocaram os vestidos de flamenco, mas os cortes assimétricos e os sapatos baixos deram um ar moderno aos looks. Também havia desde vestidos com mangas voluptuosas até os mais retos, bem como jaquetas modernas.

Sobre um pódio, a criadora usava um chapéu andaluz e umas calças excêntricas com fendas. A cor da coleção é dada por um chapéu laranja, a combinar com as luvas.

"O trabalho de muitos anos é reconhecido", comemorou Juana, uma trabalhadora incansável, que conseguiu ingressar neste mundo exclusivo ao apresentar durante quatro anos as suas coleções em desfiles parisienses paralelos à semana da alta-costura.

'Talento universal'

Apenas três estilistas espanhóis - Josep Font, Cristóbal Balenciaga e Paco Rabanne -  tinham atingido o auge da moda.

Juana nasceu em Córdoba (sul de Espanha) em 1974, numa família modesta de origem cigana. O seu pai possuía uma confecção e trabalhava como vendedor ambulante nos mercados da região. Nessas confecções, Juana aprendeu a subtileza do ofício: "com pessoas que trabalhavam à moda antiga, à mão", contou à AFP em junho.

A carreira de Juana na moda começou em 1999, quando a sua coleção foi selecionada (entre 150) para representar Córdoba no concurso nacional de jovens talentos da costura. Em 2005, tornou-se a primeira mulher da Andaluzia e de origem cigana a desfilar na semana de moda de Madrid.

"Era um sonho representar Espanha, a Andaluzia, a mulher que trabalha, a mãe, a mulher que luta", disse a estilista. "Ela tem um talento universal, mas algumas raízes, um folclore, umas tradições que faltavam", destacou Rossy de Palma, que usou uma das peças de Juana nos festivais de cinema de Veneza e Cannes.

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