O projeto nasceu há anos alguns no Agrupamento de Escolas Campo Aberto, na freguesia de Beiriz, com a criação de uma horta pedagógica, mas agora evoluiu para uma estufa, oferecida por uma empresa, onde o grupo de crianças, com necessidades especiais, é responsável por cuidar de várias plantas.

A intenção é que com esta atividade os alunos, com idades entre os 10 e os 19 anos, aprendam práticas de sustentabilidade, desenvolvam conceitos básicos de matemática, ciências, português e inglês, e, sobretudo, promovam relações interpessoais.

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"É uma atividade mais prática, num trabalho que poderá significar, no futuro, uma empregabilidade e até autonomia enquanto adultos. É algo mais próximo do real, mais apelativo e motivador para a aprendizagem", explicou Gracinda Cadilhe, coordenadora de educação especial do agrupamento escolar.

A docente lembrou que muitos dos alunos integrados no projeto "sofrem de perturbações do espetro do autismo que precisam de espaço para expandir energia, e onde possam tocar, sentir e cheirar".

"O ensino tem de ser diferenciado e proativo, respeitando a individualidade e a necessidade da cada um. Colocar estas crianças a sentir e trabalhar na estufa ou na horta ajuda-as a descobrir de onde surgem as coisas. Hoje, onde tudo é muito digital, é importante voltar à terra", analisou a coordenadora.

Na nova estufa, com cerca de 80 metros quadrados, as crianças estão a cuidar de plantas que, no futuro darão mirtilos e framboesas, desenvolvendo a perceção que ao produzirem vão receber o retorno do seu trabalho e esforço.

"Sinto que com estas atividades há uma clara evolução destas crianças. Muitas chegam pouco amadurecidas e pouco autónomas, mas vão desenvolvendo as suas capacidades sociais e melhorando competências de conteúdos nas várias disciplinas que lecionámos na sala de aula", garantiu Gracinda Cadilhe.

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Já o diretor do Agrupamento de Escolas Campo Aberto garantiu que estes projetos desenvolvidos no estabelecimento de ensino "apostam numa política educativa inclusiva, trabalhada com vários parceiros da comunidade local".

"Neste caso, com o apoio da empresa Cotesi, do Grupo Violas, que nos ofereceu a estrutura, conseguimos ter uma estufa maior, com outros recursos, para trabalharmos numa lógica inclusiva e de reforço dos conhecimentos e capacidade dos alunos", vincou João Grancho.

O responsável considerou que, atualmente, os diretores das escolas têm, cada vez mais, de promover "políticas que possam atender ao perfil dos alunos para estes tenham sucesso", considerando ser fundamental o "trabalho dos professores e os contributos dos parceiros que possam acrescentar valor para a criação de novos projetos".

"Temos uma ambição grande que partir desta proposta [da estufa], possamos desenvolver outras. Temos desenhado para o futuro construir um espaço de raiz dedicado a uma cozinha pedagógica, mais ampla, que possa ser usada por todos os alunos da escola", concluiu João Grancho.

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