Logo a seguir ao Japão e a Marrocos surge Portugal como o país onde os diretores mais lamentaram a falta de recursos humanos, revela o inquérito divulgado hoje pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), realizado em 2018, durante a realização dos testes PISA (Programe for Internacional Student Assessment).

Além dos testes PISA feitos por estudantes de 15 anos, a OCDE realizou inquéritos a alunos e diretores e um dos temas abordados foi precisamente a perceção sobre a falta de professores e restantes funcionários assim como as suas qualificações.

Quando se analisa todos os funcionários – professores, assistentes técnicos e operacionais - Portugal depois do Japão e Marrocos como o terceiro país onde os diretores mais sentem a carência de profissionais.

Já os diretores da Bulgária, Montenegro e Polónia são os que menos relatam este problema, segundo o estudo Effective Policies, Successful Schools (Políticas Efetivas, Escolas de Sucesso), que analisa dados de 79 países e economias.

Alguns diretores sentem que o maior problema é a falta de professores enquanto outros se queixam da falta de funcionários. Em Portugal, os diretores apontam mais o dedo à escassez de assistentes técnicos e operacionais, considerando que prejudica o ensino.

Em Portugal, dois em cada três alunos (67,7%) frequentam escolas com falta de funcionários, segundo a perceção dos diretores inquiridos que consideram que este é um fator que afeta a capacidade de ensino.

Portugal surge assim ao lado da Áustria, Colômbia, Grécia, Coreia, Luxemburgo, Marrocos, Panamá, Espanha e Uruguai, onde pelo menos metade dos responsáveis escolares reportou a falta de funcionários.

Já no que toca a professores, há menos queixas por parte dos diretores portugueses: Um em cada três alunos (31,8%) frequenta uma escola com falta de pessoal docente.

O estudo fez também uma comparação entre a falta de funcionários nas escolas públicas e nos colégios e Portugal volta a surgir no grupo de países onde este é um problema que afeta mais o ensino público.

Portugal surge mesmo no grupo dos quatro países onde essa disparidade é mais gritante, juntamente com a Colômbia, Grécia e Uruguai.

O estudo sublinha a importância dos recursos humanos das escolas e salienta que de todos os que necessários numa escola para que os alunos possam aprender e sentir-se bem, “os professores são talvez os mais importantes”, sublinham os investigadores.

Se as escolas têm falta de professores ou se os docentes não têm qualificações suficientes ou não têm capacidade para responder às necessidades dos alunos, torna-se “muito improvável conseguir melhorar a qualidade e equidade da educação”, refere o relatório.

No entanto, os investigadores reconhecem que além dos professores, existe um grupo de profissionais e recursos humanos que desempenham um papel importante na vida escolar: Desde assistentes operacionais até todos os restantes funcionários tais como psicólogos, terapeutas educacionais e até médicos e enfermeiras.

Os dados hoje divulgados revelam que em 43 países, onde as escolas têm menos professores e funcionários, os alunos acabaram por ter resultados mais baixos nos testes de Leitura.

Os investigadores mostram ainda que escolas com professores a tempo inteiro e com formação contínua são uma mais-valia para os alunos.

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