Na Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves, em Valadares, começou em 2013 a iniciativa que abrange estudantes portugueses entre o 6.º e o 8.º anos de escolaridade, com o objetivo de conseguir que “transfiram o raciocínio de uma língua para outra sem esforço”, explicou o responsável, em declarações à agência Lusa.

À conta disso, alunos do 8.º ano falam em inglês sobre a Peste Negra ou a origem da vida e estudantes do 6.º comparam o Palácio de Mafra com Versalhes através do filme de língua inglesa Marie Antoinette. Sem legendas.

“Este é um projeto em que cerca de 30% das aulas são dadas em inglês. Os exercícios estão em inglês e até há perguntas em inglês no teste. No início não foi muito difícil, mas foi ficando mais complicado. Temos de estudar mais em casa, para ir acompanhando. No inglês estou mais à vontade, até a falar”, descreve Lourenço Mayol, de 13 anos, aluno do 8.º ano.

Para o estudante, a diferença deste programa de aprendizagem integrada é “saber, em inglês, os vocabulários específicos” de disciplinas como História, Geografia e Ciências, que a maior parte dos estudantes nacionais aprende apenas em língua portuguesa.

“A intenção é torná-los competentes para trabalhar a língua inglesa em qualquer contexto. Temos alunos que, facilmente, abordam um conteúdo de ciências em inglês”, descreve o diretor, explicando que o programa teve início no âmbito do contrato de autonomia da escola.

Álvaro Almeida dos Santos diz existirem “alguns indicadores de que estes alunos desenvolvem o conhecimento da língua inglesa com mais rapidez”.

Também “têm uma maior flexibilidade, porque fazem uma abordagem que não é gramatical mas de conteúdo”.

“Nas aulas de inglês, os alunos estão mais seguros, mais motivados e não têm tanto receio de arriscar”, assegura a professora Candida Grijó.

A docente “apoia as duas turmas do 8.º ano do projeto e os professores que estão a dar aulas de conteúdo”.

“Com base no programa de inglês, há momentos em que adianto outro tipo de conteúdo quando, por exemplo, acho que a professora de Geografia vai necessitar de determinado léxico”, descreve.

A aluna Margarida Dantas não hesita em dizer que este tipo de aprendizagem “é mais difícil”, mas alerta, com igual prontidão, que tanto ela como os colegas vão “conseguir superar o desafio”.

“No início foi um bocadinho esquisito mas fomo-nos habituando e tornou-se cada vez mais fácil”, disse.

Para a professora de História Maria Albertina Viana, que dá aulas há mais de 30 anos e está na escola “há cerca de 23”, foi “um desafio muito grande” integrar a iniciativa.

“A minha formação de base não é o inglês. Achei, quando fui convidada, que era desafiante, porque era algo de novo”, recorda.

Para a professora, “até há alunos que, por as aulas serem em inglês, se mostram mais dinâmicos”.

A formação dos docentes começou por ser feita através de uma parceria com a Faculdade de Letras da Universidade do Porto, mas já levou os professores a Manchester ou à Finlândia, ao abrigo de um programa Erasmus ao qual a escola se candidatou.

A escola tem 1.650 alunos e a intenção da direção é pensar em formas de alargar o projeto para os alunos do nono ano e seguintes.

“Para isso, é preciso um corpo docente preparado, formação e olhar para o programa, para fazer o que precisamos sem comprometer os exames finais dos alunos. Se fizermos a abordagem em termos de Biologia ou Geologia temos de ter consciência que eles vão ter exames nacionais no fim do ano”, explicou Álvaro Almeida dos Santos.

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