Há mais de vinte anos que a Deco testa a segurança de alguns dos brinquedos à venda em Portugal. Neste teste foram analisados cerca de 400 brinquedos e mais de metade chumbou nos testes realizados, sendo que a classificação variou entre o "mau" e o medíocre".

Peças pequenas facilmente destacáveis dos brinquedos (perigo de asfixia, se forem engolidas), fraca resistência ao impacto (perigo de cortes ou perfurações, devido à formação de pontas aguçadas) e pilhas acessíveis (perigo de queimaduras graves, caso sejam engolidas) são alguns dos problemas mais frequentes.

Outro dos problemas apontados neste estudo é a falta de rigor na rotulagem. Muitos brinquedos têm o selo da certificação da CE, colocada pelo fabicante, mas na realidade não existe um controlo de qualidade efetivo.

Para Teresa Belchior, a responsável pelo estudo, a mudança começa precisamente no fabricante. "A segurança dos brinquedos começa nos fabricantes. Estes só devem vender produtos seguros em todos os aspetos previsíveis. Mas, tanto ao nível da segurança como da rotulagem, nem sempre assim acontece. Não será por má-fé ou por falta de noção da importância das regras de segurança, mas por não seguirem padrões de fabrico exigentes ou não exercerem um controlo responsável", afirma.

Outro dos aspetos apontados no estudo é, por vezes, a falta da idade recomendada de um determinado brinquedo. Para Marta Rosa, Técnica Superior no IAC (Instituto de Apoio à Criança), "é fundamental os brinquedos indicarem a idade a partir da qual são recomendados. A idade é fundamental para que se possa perceber para quem é adequado um brinquedo. Quando a lei tinha por base uma idade, fazia-o tendo em conta as características psicológicas e as capacidades físicas. Isso é muito importante. Estar a pôr um limite de idade não faz sentido. Mas “a partir de” é fundamental", conclui.

A DECO considera ainda que, devem ser implementadas medidas de segurança adicionais:
- Atribuição/centralização de competências referentes à recolha e tratamento dos dados nacionais relativos a acidentes provocados por brinquedos;

- Retoma da obrigatoriedade, a nível europeu, da marcação etária dos brinquedos;

- Criação de uma legislação que puna os fabricantes que, de forma reincidente, produzem brinquedos perigosos.

E deixa ainda 10 dicas para escolher um brinquedo seguro:

1. Escolha brinquedos adequados à idade e desenvolvimento da criança a que se destina.

2. Leia os avisos de segurança e as instruções de utilização. Se não existirem ou não estiverem em português, opte por
outro brinquedo.

3. Passe a mão pelas arestas, pontas e bordos e certifique-se de que não existe o risco de magoarem a criança.

4. Verifique se tem peças pequenas que possam ser arrancadas com facilidade (por exemplo, rodas, olhos ou pêlos) e que caibam dentro de um rolo vazio de papel
higiénico. Em caso afirmativo, opte por outro produto.

5. Certifique-se de que as pilhas estão num compartimento fechado com parafuso e que se abre com ferramentas.

6. Máximo cuidado para brinquedos com fios compridos: estes não devem exceder os 22 cm, para que a criança não consiga enrolá-lo à volta do pescoço.

7. Brinquedos com pés dobráveis, como quadros escolares ou tábuas de engomar, devem ter um sistema nas pernas de suporte que os impeça de fechar completamente, para
evitar entalar dedos.

8. Retire o brinquedo da embalagem, sobretudo se esta for de plástico, antes de o oferecer à criança. Guarde a identificação e morada do fabricante ou importador: é necessária, se ocorrer algum acidente.

9. Evite que as crianças mais novas utilizem os brinquedos das mais velhas, quando possam constituir um risco.

10. Faça uma revisão periódica aos brinquedos e deite fora os que estiverem danificados.

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