Saberão os pais de hoje preparar os seus filhos para que se tornem os adultos resilientes de amanhã? 93,7% dos pais portugueses afirmam ser resilientes, no entanto 63,6% destes pais consideram-se muito protetores.

O estudo que traça um retrato da resiliência em Portugal, desenvolvido pela Marktest com o médico Libério Ribeiro, pediatra e presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica, e Magda Dias, conselheira de Parentalidade Positiva e autora do blogue Mum’s The Boss, teve como objetivo analisar o conhecimento sobre o tema da resiliência em Portugal e perceber como é que este é entendido e vivido no dia-a-dia das famílias portuguesas.

O que é a resiliência?

A resiliência define-se como uma competência emocional que é treinada e que se prende com a vivência de uma situação que identificamos como sendo negativa, conseguindo dar-lhe a volta por cima e voltar ao estado anterior, com mais aprendizagens e competências.

"É preciso clarificar conceitos e dar ferramentas aos pais, para os colocarem prática. Manter crianças em redomas não as protege, nem psicologicamente nem fisicamente, para os desafios do dia-a-dia", lê-se no estudo.

O estudo foi realizado por entrevistas a um grupo de pais e mães com um ou mais filhos e foi repartido em questões relacionadas com a alergia e questões relacionadas com a família, ambas com o intuito de criar pontos de contacto com a temática principal em análise, a resiliência.

O questionário começa por caracterizar o conhecimento sobre o tema das alergias no(s) filho(s). Cerca de 31% dos pais com filhos até aos 6 anos afirma que os seus filhos têm alergias ou potencial risco alérgico e cerca de 83% acredita não existir relação entre o aparecimento de alergias e um sistema imunitário forte.

Em caso de alergia, 76% dos inquiridos afirma que o melhor é fazer uma consulta de alergologia pediátrica para seguir as regras necessárias, enquanto que apenas 0,6% acredita que ficar em casa é a melhor opção.

Assumindo o início de vida de uma criança como o início destas "preocupações", os resultados do estudo revelam que 79% dos pais acreditam que amamentar é o comportamento que mais determina a redução do risco alérgico nos bebés, não tendo em consideração que "o parto de cesariana, que os pais consideram como um factor de menor risco, fumar em casa ou introduzir precocemente alimentos potencialmente alergénicos, contribuem para um aumento do risco alérgico dos seus bebés", sublinha o professor e médico pediatra Libério Ribeiro.

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"É nos primeiros anos de vida do bebé que as escolhas alimentares definem também a sua maior ou menor exposição a alergias – a maioria das alergias dos bebés dá-se à proteína do leite de vaca, em 46,9% dos casos, seguindo-se o ovo, peixe, trigo, soja, amendoim, frutos secos e crustáceos, um factor que deve merecer especial atenção por parte dos pais", conclui.

Dedicando a análise ao comportamento entre pares, mais exatamente na família, metade dos inquiridos define a sua dinâmica familiar como organizada (54,5%), enquanto que 26,6% define-a como divertida e 12,7% como regrada.

A maioria dos pais inquiridos sublinha a importância de brincar fora de casa (rua), mas 46,3% acredita que deve acompanhar o seu filho, ainda que com uma distância que o permita crescer independente.

Do universo total dos inquiridos, 93,7% considera ser resiliente, contudo, desse mesmo universo apenas 66,7% afirma que a resiliência é a capacidade de saber ultrapassar dificuldades, o que deixa os especialistas em alerta quanto à disparidade dos números e consequente compreensão do conceito por parte dos pais portugueses.

Por último, 46,4% dos pais e mães portugueses acreditam que há pessoas que nascem resilientes e outras não.

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