Afinal, somos ou não o que comemos? Há muito que a pergunta gera debates e discussões, dividindo especialistas. Para Patrick Holford, diretor do Brain Bio Centre, uma clínica londrina especializada em nutrição adaptada ao cérebro, a resposta é afirmativa e esse princípio aplica-se desde cedo. No seu livro «Alimentação ideal para crianças inteligentes», o nutricionista ensina-nos que existem cinco ingredientes essenciais para que o seu filho tenha o cérebro afinado.

A lista inclui hidratos de carbono de libertação lenta, ácidos gordos essenciais, fosfolípidos, aminoácidos, vitaminas e minerais. Mas também são cinco os nutrientes de que deve protegê-lo a todo o custo, pois contribuem para o abrandamento do rendimento intelectual, nomeadamente açúcar refinado, gorduras danificadas, certos aditivos alimentares químicos, minerais tóxicos, nomeadamente cobre e mercúrio, e alimentos aos quais a criança possa ser alérgica.

Uma missão desafiante para qualquer pai mas que, como vai ver, valerá todo o seu esforço. Em entrevista à Saber Viver, o especialista aponta estratégias que os pais que têm filhos em idade escolar e que se preocupam com o seu desenvolvimento cognitivo devem forçosamente seguir. «Vários estudos demonstraram que as crianças que ingerem maior quantidade de açúcar apresentam níveis de inteligência mais baixos e comportamentos mais violentos e desviantes», adverte.

De que forma é que a comida interfere no desenvolvimento intelectual das crianças?

O cérebro é, literalmente, feito de nutrientes. Um terço do seu peso deve-se às gorduras essenciais que o constituem. Muitos nutrientes existem em grandes quantidades no cérebro.

Por este motivo, ao ingerirem demasiados alimentos refinados, destituídos de nutrientes, como fritos ou gorduras presentes na junk food, as crianças podem estar a perder qualidades por causa destas gorduras danificadas. Os seus cérebros tornam-se mais compactos porque deixa de haver espaço suficiente para as trocas elétricas do cérebro.

Quais são os nutrientes mais importantes para o cérebro infantil?

Em primeiro lugar, o ómega-3 e as gorduras presentes nos peixes gordos, tais como o salmão, as sardas, o arenque e as sardinhas, bem como nas sementes e nos frutos secos. As melhores sementes são as de linhaça, cânhamo, abóbora, girassol e sésamo. Em segundo lugar, são também muito importantes as vitaminas do grupo B que se encontram nos vegetais verdes, no feijão e também nas sementes, nos frutos secos, na fruta fresca e nas verduras.

O zinco é um mineral vital e está presente em todos os alimentos que nascem a partir de sementes, o que quer dizer que pode ser obtido em qualquer alimento que seja plantado e que cresça. O zinco também se encontra na carne, no peixe, nos frutos secos e nos ovos. Tem-se verificado que os suplementos que contêm estes nutrientes contribuem para fortalecer o quociente de inteligência, a memória e a atenção.

E que alimentos são prejudiciais?

O açúcar refinado é o pior alimento para o cérebro. Vários estudos demonstraram que as crianças que ingerem maior quantidade de açúcar apresentam níveis de inteligência mais baixos e comportamentos mais violentos e desviantes. Grande parte do consumo do açúcar é feito a partir da ingestão de refrigerantes gaseificados. O açúcar é a principal receita para a hiperactividade. Seguidamente, na lista dos piores alimentos encontram-se os alimentos fritos e os que contêm corantes.

Veja na página seguinte: O que fazer para reduzir o consumo de doces

O que pode ser feito para evitar que as crianças consumam açúcar refinado?

Se os seus filhos estão habituados a consumir açúcar, o melhor que pode fazer é habituá-los ao xilitol. É um adoçante natural que se encontra nos frutos, tais como ameixas, bagas e cerejas. O seu sabor é exactamente igual ao do açúcar, no entanto, tem um baixo índice glicémico e não prejudica o organismo.

Comece por diluir os sumos de fruta com água (metade da quantidade para cada um) e, mais tarde, um terço de sumo e dois terços de água. Os seus filhos acabarão por habituar-se. Depois, reduza a quantidade de xilitol e comece a dar-lhes alimentos sem açúcar, tal como cereais não açucarados.

E se isso não resultar?

Se eles não conseguirem passar sem o sabor do açúcar, experimente adoçar a comida com sumo de maçã concentrado. Adquira o hábito de adoçar os alimentos, tais como os cereais, por exemplo, com frutas e acompanhe com uma taça de frutos frescos. Roma e Pavia não se fizeram num dia... Com paciência, conseguirá ganhar a batalha contra o açúcar.

As crianças devem comer várias vezes ao dia?

Quanto a esse assunto, pode dizer-se que mais vale pastar do que empanturrar-se, como refiro no livro.

Os cuidados a ter quando for ao supermercado:

1. Leia os rótulos dos alimentos e evite os que têm gorduras hidrogenadas.

2. Evite comprar sumos industriais.

3. Escolha ovos orgânicos e ricos em ómega-3.

4. Evite alimentos com aditivos, corantes e conservantes.

5. Não vá às compras com fome.

6. Faça uma lista de compras e siga-a.

7. Prefira alimentos biológicos.

Texto: Paula Alberty

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