O movimento #MeToo impera neste momento em Hollywood, mas alerta para o assédio das mulheres em todo o mundo, independentemente do contexto de trabalho em que estejam inseridas. Monica Lewinsky apoiou precisamente a campanha, através de um artigo que escreveu e que foi publicado na revista Vanity Fair.

No mesmo, a ex-estagiária da Casa Branca, que manteve um relação com Bill Clinton ainda nos anos 1990, lamentou o envolvimento com o ex-Presidente dos Estados Unidos e acusou-o de “abuso de autoridade”.

Atualmente com 44 anos, num longo artigo, Lewinsky recordou o polémico envolvimento com Clintion, entre 1995 e 1997, que consistiu em nove encontros, que incluíram sexo oral e que aconteceram na residência presidencial.

“Claro, o meu chefe aproveitou-se de mim, mas sempre mantive firme este ponto: tratou-se de uma relação consentida. Qualquer ‘abuso’ aconteceu depois, quando ele me tornou num bode expiatório para proteger a sua posição de poder”, afirmou. “O caminho que nos levou até ali foi afetado por abusos inapropriados de autoridade, cargos e privilégios (ponto final)”, escreveu.

Monica sublinhou que o movimento #MeToo fez com que começasse a encarar o caso por que passou com outros olhos, até porque as inúmeras denúncias que se têm verificado ao longo dos últimos meses no Estados Unidos têm fornecido novas perspetivas sobre o flagelo do assédio e abuso de mulheres no trabalho.

“É muito complicado. Muito, muito complicado. A definição do dicionário de ‘consentimento’? Dar permissão para que algo aconteça. No entanto, o que “algo” significa nestas circunstâncias, dada a dinâmica de poder, a posição dele e a minha idade? Foi ‘algo’ que ultrapassou a linha da intimidade sexual (e mais tarde emocional)? (Uma intimidade que eu queria – com 22 anos e um entendimento limitado das consequências). Ele era o meu chefe. O homem mais poderoso do planeta. Tinha mais 27 anos que eu e experiência suficiente para perceber o que era melhor. Ele estava, naquela altura, no auge da sua carreira, enquanto eu estava no primeiro trabalho após a faculdade”, referiu, não descartando as suas culpas no caso, bem como o seu arrependimento pelo que aconteceu.

“Agora, com 44 anos, estou a começar (e só a começar) a considerar as implicações das diferenças de poder que eram tão grandes entre um presidente e uma estagiária da Casa Branca. Estou a começar a entender que nessas circunstâncias a ideia de consentimento pode ser considerada irrelevante (embora que os desequilíbrios de poder – e a capacidade de abusar deles – existam quando o sexo foi consentido)", argumentou.

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