Morreu o último sobrevivente da era dourada do cinema. "É com uma profunda tristeza que eu e os meus irmãos anunciamos que Kirk Douglas faleceu hoje com 103 anos", esclareceu o filho mais velho do ator norte-americano, o também ator e produtor Michael Douglas, 75 anos, num comunicado publicado, horas depois, pela prestigiada revista People. A mesma mensagem foi, logo a seguir, publicada no perfil de Instagram do marido da atriz galesa Catherine Zeta-Jones.

"Para o mundo, ele era uma lenda, um ator da era de ouro dos filmes que viveu bem até aos seus anos dourados, era um humanitário cujo compromisso com a justiça e com as causas nas quais acreditava estabeleceram um padrão para todos almejarmos alcançar", acrescentou ainda. "Para mim e para os meus irmãos, Joel e Peter, ele era simplesmente o nosso pai. Para Catherine, um maravilhoso sogro, e, para os seus netos e bisneto, o seu avô adorável", elogiou o popular ator.

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"Para sua esposa Anne, [foi] um marido maravilhoso", recordou Michael Douglas, que contracenou com o pai em 2003, no filme "It runs in the family", onde também entra Cameron Douglas, o neto do malogrado artista. Kirk Douglas, nome pelo qual Issur Danielovitch ficaria conhecido mais tarde, nasceu a 9 de dezembro de 1916 em Amsterdam, em Nova Iorque. Pai do ator Michael Douglas, que é casado com a atriz Catherine Zeta-Jones, é um dos expoentes do sonho americano. Antes de emigrar para os Estados Unidos da América, o pai vendia cavalos nos territórios atualmente ocupados pela Bielorrússia.

Em busca de uma vida melhor, Herschel Danielovitch emigrou com a mulher, Bryna Sanglel, para a terra das oportunidades mas o que encontraram foi uma vida de pobreza. Para sobreviver, o emigrante judeu vendia tecidos na rua. "Na Eagle Street, a zona mais pobre da cidade, onde todas as famílias tinham de lutar para sobreviver, o trapeiro era o degrau mais baixo da escada. E eu era o filho do trapeiro", lamentou o ator na sua biografia, em 1988.

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Para conseguir dinheiro para o leite que a família consumia, Kirk Douglas chegou a vender snacks aos trabalhadores dos moinhos da região. Antes de se tornar ator, teve 40 empregos. Para pagar o empréstimo que lhe financiaria os estudos, conciliou as aulas com os trabalhos que fazia como jardineiro e como zelador e ainda conseguia ter tempo para dar largas à sua paixão, o teatro. A sua interpretação numa das peças que fez despertou a atenção dos responsáveis da American Academy of Dramatic Arts, uma escola de artes dramáticas. Conseguiu uma bolsa de estudo. Uma das suas colegas era Joan Perske, que mais tarde ficaria conhecida como Lauren Bacall. Outra era Diana Dill, a aspirante a atriz que viria a ser a sua primeira mulher.

A II Guerra Mundial afastou-o da profissão mas, no regresso a Nova Iorque, fez rádio e teatro e gravou anúncios publicitários para televisão. Lauren Bacall recomendou-o ao produtor Hal B. Wallis, que o contratou para o filme "The strange love of Martha Ivers", em 1946. A partir daí, nunca mais parou. "Spartacus" consagrou-o em definitivo em 1960. Em 1996, um acidente acidente vascular cerebral afetou-lhe a fala. Nesse mesmo ano, recebeu um Óscar Honorário.

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