Grace Jones, que atua hoje em Portugal pela quinta vez, não gosta de rótulos. "Não sou nenhuma diva", assumiu na sua autobiografia, "I'll never write my memoirs", lançada em 2015. "Essa palavra está tão ultrapassada. Diva, ícone, legenda... O que é ser uma diva?", interrogou, na altura, a cantora, compositora e atriz, que foi uma das modelos mais populares na década de 1970 e uma das intérpretes musicais mais vanguardistas.

Ao contrário do que foi divulgado pela organização do festival, que também a apelida de diva no perfil que apresenta no site do evento, a irreverente e provocadora artista jamaicana de 71 anos, não se estreia mais logo nos palcos nacionais no NOS Alive 2019, em Algés. Na década de 1990, chegou a atuar em Matosinhos, no Algarve, na Amadora e em Lisboa, como recordou nos últimos dias o site de informação musical Blitz.

Grace Jones. A diva extravagante que desafiou todas as convenções nunca parou de cantar
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Na madrugada de 20 abril de 1991, Grace Jones cantou na discoteca Cais 447 em Matosinhos, para meio milhar de pessoas, num espetáculo que o jornalista Rui Tentúgal definiria então como "inesquecível". "Depois do que ali foi visto e ouvido, tornou-se opinião unânime que Madonna é uma santa", noticiaria horas depois o extinto jornal vespertino A Capital na edição desse dia. "Grace Jones elevou a tamanho nível a libido da assistência que foi consagrada em vida como diva da voz quente como couro, a rainha do sexo sem fronteiras, [dos] credos, [das] raças ou [do] tento na língua", escreveu ainda o jornalista português.

Ao longo do espetáculo, Grace Jones contou detalhadamente experiências sexuais, mas não se ficou pelos relatos. "Simulou orgias com os bailarinos e outros convidados, deixou o público apalpar-lhe o traseiro e beijar-lhe as pernas, conversou sobre música para defender a honestidade do playback e cravou cigarros e cerveja", relata o jornal. Dias depois, atuou no Forum D. Pedro em Vilamoura e na Dancetaria Lido na Amadora.

Em novembro de 1995, a artista regressou a Lisboa para a inauguração do Rock City, um espaço à beira-rio entretanto encerrado. "É uma vedeta de renome internacional que se identifica com a nossa imagem", justificou, na altura, em declarações a A Capital, Rui Dantas de Figueiredo, um dos sócios do empreendimento. "Vamos pagar-lhe 5.000 contos, além de despesas de hotel, viagens e alimentação", revelou o empresário.

Nascida na Jamaica em 1948, ainda que se recuse a assumi-lo, Grace Jones fez sucesso como manequim, cantora, compositora e atriz nas décadas de 1970 e 1980, desafiando todas as convenções dessa época. O seu estilo andrógeno seduziu estilistas como Yves Saint Laurent, Kenzo e Azzedine Alaïa, fotógrafos como Jean-Paul Goude, Helmut Newton e Hans Feurer e diretores de revistas como a Elle, a Vogue e até a Playboy.

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