Foi com um sorriso simpático que Sara Carreira recebeu o Fama Ao Minuto para uma entrevista sincera, onde aceitou dar-se a conhecer de forma transparente.

O sorriso manteve-se durante toda a conversa e fez-se acompanhar de um discurso descontraído, que quase nos fez esquecer a timidez que assume sem vergonha.

No rescaldo do lançamento do videoclipe da terceira música do EP 'Metade', o single 'Sentimento', que conta já com mais de 300 mil visualizações no YouTube, e a poucos meses de dar início à sua primeira digressão, que arranca já em 2020, a jovem cantora falou-nos de sonhos, de expectativas e da forma como, em poucos meses, a música a tornou uma pessoa mais confiante.

Já te tínhamos visto, ainda em criança, a cantar com o teu pai mas a verdade é que nunca houve grandes indícios de que poderias seguir uma carreira no mundo da música. Apesar de escondido, este sempre foi o teu sonho?

Como é óbvio tive muitas dúvidas antes de tomar esta decisão, mas acho que facilitou imenso o facto de ter estado em contacto com a música ao longo de toda a minha vida. Consegui ter uma espécie de escola e ajudou-me a aprender a lidar com certas situações, a perceber o que é preciso e o que não é. Ajudou imenso, sem dúvida alguma.

A minha família não adorou a ideia, mas apoia-me a 100% neste momento

Mas quando cantavas em criança com o teu pai já te passava pela cabeça que era isto que querias mesmo fazer?

Acho que foi uma surpresa para toda a gente, a minha própria família não tinha a mínima noção. As pessoas, o público, toda a gente achava que eu era aquela que não ia seguir música e ser cantora. Achavam que ia estudar, que não ia seguir os passos do meu pai. Foi uma surpresa para toda a gente, na verdade, mas eu sempre tive essa vontade. Como é óbvio vi outras opções, tive a fase da cabeleireira em criança, quis ser veterinária, porque adoro animais, e outras coisas... Mas nunca tive 100% certeza de que queria ter uma profissão sem ser cantora.

E quando decidiste que a música era mesmo o teu caminho, como é que a tua família reagiu?

Não muito bem. Não adoraram a ideia, mas apoiam-me a 100% neste momento. Sabem que é aquilo que me faz feliz e, na verdade, aquilo que eles querem é que eu seja feliz. Por isso é que me ajudam, me aconselham e me apoiam.

Já estive em cursos de representação e gosto muito

Entre todas as dúvidas que tiveste, principalmente por conheceres bem as dificuldades do meio artístico, não houve nenhum momento em que tenhas pensado desistir?

Acho que quando estava neste processo todo de fechar o EP e começar a promoção, quando estava a fazer tudo ao mesmo tempo, o cansaço fez-me começar a pensar muito nas coisas. Mas nunca tive dúvidas, por muito cansada que eu estivesse sinto-me muito sortuda e muito afortunada por conseguir e ter a oportunidade de seguir e fazer aquilo que gosto. E nunca me esqueci disso. Com o cansaço nós começamos a pensar nas coisas, mas nunca tive dúvidas.

Há uns meses disseste-nos que continuavas focada em tirar o teu curso em Cultura e Comunicação e conciliar os estudos com a música. Esse projeto continua a fazer parte dos teus planos?

Neste momento, não sei. Estive em dois cursos e parei agora para conseguir focar-me. Sou muito perfecionista e quando me meto numa coisa sou aquela pessoa que está a 200%, não consigo fazer as coisas a meio. Senti que não estava a 200% em nenhuma das duas e isso estava a dar cabo de mim. Tive mesmo de parar para conseguir fazer aquilo perfeito e como quero que as coisas sejam. Quem sabe mais tarde, é o que eu digo… mas neste momento não tenho a mínima ideia.

Tenho muita expectativa à minha volta pelo nome que tenho

O teu irmão David chegou a participar em novelas e a dar cartas enquanto ator. Tu também gostavas de explorar outros meios artísticos?

Já tive vontade, mas neste momento não me consigo ver a fazer outra coisa. Já estive em cursos de representação e gosto muito, tive aulas de dança e adoro dançar, mas não me vejo a fazer outra coisa neste momento.

Carregando o apelido Carreira, que começou com o sucesso do teu pai, Tony Carreira, é mais fácil ou exige de ti uma responsabilidade maior?

Neste caso, o apelido Carreira tem as suas coisas boas e as suas coisas más. As boas é que abre oportunidades logo ao início que muitas pessoas não têm. Por exemplo, conseguir dar entrevistas. Vejo pessoas da minha idade a lutarem para conseguirem dar a conhecer o seu trabalho e é uma oportunidade que eu tenho, são coisas que às vezes nem temos noção. Para mim surgiram logo muitas oportunidades ao início e isso é muito bom. Depois em relação às más, tenho um peso extra. Tenho muita expectativa à minha volta pelo nome que tenho, também pela família que tenho, que conseguiu alcançar muitas coisas ao longo da carreira. Acho que isso é o que mais dificulta, e também a falta de margem de erro. Por exemplo, o meu pai ao início teve oportunidade de experienciar, experimentar géneros, conhecer-se enquanto artista, coisas que eu não posso fazer neste início de carreira porque tenho muita coisa a acontecer e tenho logo de dar os passos certos.

Se me perguntasses há dois meses diria que não tinha confiança nenhuma em mim. Mudei imenso mesmo

Sentes esse peso da responsabilidade?

Sim. Não podia dar outra resposta, é sim.

Ainda nessa entrevista de que falávamos, disseste-nos que precisavas de ganhar um pouco mais de confiança em ti. Já estás a melhorar esse ponto?

Sem dúvida alguma. Se me perguntasses há dois meses diria que não tinha confiança nenhuma em mim. Mudei imenso mesmo. Por exemplo, uma coisa tão simples quanto esta: eu não tinha confiança na minha voz, que é o meu instrumento de trabalho, e neste momento tenho. Eu não conseguia cantar à frente dos meus amigos e agora canto. Sinto que isso foi uma das minhas maiores conquistas neste momento, conseguir ganhar confiança em mim e nas minhas capacidades. Sinto que ainda tenho muito para trabalhar nesse aspeto, mas como consegui melhorar até agora sinto que vou melhorar muito mais ainda daqui para a frente.

Quando lançaste algumas das músicas do teu novo EP - 'Metade' - disseste que elas eram o reflexo daquilo que viveste nos últimos anos. As tua músicas são todas pedaços da tua história?

As minhas músicas são muito autobiográficas, contam muito a minha história, a minha verdade. Falam sobre aquilo que passei, aquilo que vivi e por isso é que também são tão especiais para mim e dai também o nome ‘Metade’. É a minha história, é um reflexo meu. E ajudaram-me imenso, foram um porto de abrigo para mim a passar por certas situações. Refugiava-me imenso na música, através da escrita conseguia perceber aquilo que estava a sentir e passar melhor pela situação.

As pessoas sempre conseguiram conhecer-me através das carreiras do meu pai e dos meus irmãos, viram-me crescer mas nunca tiveram propriamente em contacto comigo a solo, sozinha

Era precisamente isso que te ia perguntar. Porquê o nome ‘Metade’? Falta a outra metade?

Agora têm o ‘Metade de Mim’, vão ter outra metade daqui para a frente, mas metade porque sou eu. Queria com este EP que as pessoas me conseguissem perceber, não só enquanto pessoa mas também enquanto cantora. Queria que, através do meu trabalho, conseguissem acompanhar-me e conhecer-me. As pessoas sempre conseguiram conhecer-me através das carreiras do meu pai e dos meus irmãos, viram-me crescer mas nunca tiveram propriamente em contacto comigo a solo, sozinha, e era esse o meu principal objetivo.

E o que é que cada uma das músicas deste EP passa realmente sobre ti?

Passam verdades. 80% diria que são verdades minhas e o resto são verdades de pessoas que me rodeiam, pessoas que escrevem comigo. Isso era o que eu mais queria no meu EP, que fosse tudo genuíno e nada forçado. E isso acho que conseguimos no resultado final.

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Além do teu EP, que outras novidades estão a caminho?

Nem eu sei [risos]. Neste momento a minha prioridade é o EP e depois a minha digressão 2020. Já estamos a marcar as primeiras datas e estou ansiosa. Foram três anos a trabalhar muito para isto e finalmente as coisas estão a concretizar-se. Em breve vamos ter mais novidades.

Eu sou muito tímida com as pessoas que não conheço, mas com os meus amigos sou a pessoa mais extrovertida de sempre

E sentes-te preparada para subir ao palco e fazer uma digressão só tua?

Sozinha! [ risos]

Sim, és só tu agora...

Preparada, preparada a 100% acho que nunca estamos. Temos sempre medos. Mas estou muito feliz, muito ansiosa e sei que vou trabalhar e ainda estou a trabalhar muito para isso, para que fique orgulhosa do resultado final. E tenho a certeza que vou estar muito feliz.

Quando lançaste as tuas primeiras músicas disseste que ainda não sabias muito bem quem seriam os teus fãs. Agora já consegues ter mais essa noção com o lançamento do EP?

Não. Eu ainda estou muito pouco em contacto com as pessoas. Através das redes sociais tento ao máximo estar em contacto com elas, para conseguir conhecê-las. Depois num ou outro evento também, mas ainda não pude estar em contacto e acho que isso é o que me dá mais vontade de começar a digressão. Através da tour vou conseguir conhecer o meu público.

Muitas pessoas têm a ideia de que és mais caladinha, mais fechada...

Tímida.

Ao início era mais complicado, era uma criança e não podia fazer tudo o que queria fazer

Sim. A música faz-te libertar dessa timidez?

Eu sinto que com o tempo vou conseguir distanciar as coisas. Eu sou muito tímida com as pessoas que não conheço, mas com os meus amigos sou a pessoa mais extrovertida de sempre. Com a tour, como vou estar com a minha família de estrada, sinto que vou conseguir passar isso para o palco. Conseguir passar a minha energia, a pessoa que sou por trás das câmaras, que é uma pessoa mega à vontade. Acho que são as câmaras que acabam por me 'acalmar' um bocadinho.

Tendo em conta essa tua timidez e o facto de a tua imagem sempre ter sido pública, a exposição assustava-te?

Eu tenho a certeza que sempre me assustou um bocadinho, a uma criança assusta sempre mais. Mas acredito que ao longo do tempo fui aprendendo a lidar com isso e agora lido muito bem. Ao início era mais complicado, era uma criança e não podia fazer tudo o que queria fazer. Tinha de ser controlada em muita coisa. Agora, lido muito bem com isso.

Numa entrevista recente ao teu irmão David, ele acabou por confidenciar-nos que o teu pai teve dificuldades em perceber algumas das suas músicas. No teu caso, já aconteceu o mesmo?

Por acaso o meu pai é daquelas pessoas que às vezes até lhe digo: ‘Mas pai, podes dizer a verdade’. Isto porque ele está sempre a dizer bem, mas também por serem baladinhas [risos]. O David é mais para a frente. O meu pai sempre deu opinião, na maioria das vezes positiva, mas como é óbvio se não gostar é o primeiro a dizer. Eu até tenho uma música assim mais diferente no meu EP, não sei se o meu pai percebe o que eu digo na letra porque há umas partes em inglês, mas ele por acaso nunca me disse nada disso.

Sinto que por estar no início ainda estou a descobrir o que sou, o que quero

E qual o melhor conselho que ele te dá?

Como qualquer pessoa, eu já recebi imensos conselhos dos meus pais. No caso do meu pai, ele é a pessoa que me acalma muito em certas situações com as quais eu não estou a saber lidar. Quando estou mais preocupada, mais triste, ele diz-me para eu ganhar mais confiança e estar mais calma. Mas aquilo que ele melhor me conseguiu transmitir é que as coisas com o tempo resolvem-se. Às vezes podemos estar a fazer um drama gigante com uma coisa tão pequenina e com o tempo as coisas vão ao sítio.

Enquanto artista, já consegues definir-te? Saber aquilo que queres exatamente fazer?

Sinto que por estar no início ainda estou a descobrir o que sou, o que quero, o que quero transmitir. O meu principal objetivo é sempre passar através do meu trabalho a pessoa que sou, seja numa onda mais intimista com as baladas ou numa onda mais moderna pop com músicas mais mexidas.

E vamos ver-te mais nesse registo, de músicas mais mexidas?

Sim! Agora lancei mais baladas com o meu EP, porque é o que eu gosto e o que mostra o que eu sou, mas antes da tour quero lançar músicas mais mexidas... para também não ser uma seca [risos].

Para terminar, conta-nos qual o teu maior sonho no mundo da música?

O meu maior sonho, assim num futuro longínquo, é encher um Altice Arena. Sei que ainda falta muito, estou no início e tenho noção disso, mas é um sonho de carreira.

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