No espaço de um mês muitas foram as pessoas que deixaram a sua criatividade fluir, por via das máscaras que começaram a criar, cujo uso é obrigatório em contexto social.

Não tenho nenhum estudo de mercado realizado, mas acredito que todos temos alguém na nossa rede de contactos que esteja a criar máscaras. Por via das redes sociais, partilho por exemplo, a iniciativa da Joana Costa e da Piedade Ferreira.

E, por falar em máscaras, sendo efectivamente este ponto que gostava de trazer para 'cima da mesa', o que é que agora vai optar por fazer, uma vez que o espelho da sua alma está, mais do que nunca, cristalino, transparente, permeável? Já teve oportunidade de estar em algum espaço de pequenas dimensões com outra pessoa a partilhar do mesmo?

Até à bem pouco tempo os olhos eram automaticamente direcionados para baixo, provavelmente para o smartphone que estivesse nas nossas mãos. Recorde-se, por favor, da última vez que partilhou um elevador ou que esteve numa fila de espera (e sim, eu sei que a distância física é agora maior, mas não será por isso que não conseguirá fazer este exercício).

Recorde-se dos seus movimentos em piloto automático, em que dificilmente iria optar por andar de postura vertical, pois a cabeça estava sempre inclinada, de olhar baixo, igualmente nos transportes, em que também a fuga era o smartphone. Naturalmente que a fuga continua a existir, mas caramba, não é prático. Pois não? Apesar da máscara nos tapar, sinto que estamos profundamente mais expostos. O nosso olhar está convidativo, não podemos abraçar ninguém sem ser por esta via. Não é incrível?

Agora, que outras máscaras se erguem, a do olhar está claramente mais transparente. Se estamos tristes, se estamos felizes, se estamos surpreendidos ou se estamos chateados fica mais difícil disfarçar (e note, nunca é boa política disfarçar as suas emoções, pelo contrário, devem ser olhadas, cuidadas, atendidas. Estas trazem respostas irrefutáveis, têm memória celular, e, se quiser, podem contar-lhe histórias da sua infância.

Olhar nos olhos pede coragem, e, seguramente, deve pedir autorização, pois é um momento de profunda conexão, partilha, troca. Diria mesmo que um dos momentos mais íntimos que podemos viver é partilhar com 'os nossos', ao longo da vida.

Imagine, recorde-se por favor, da última oportunidade que teve de olhar, de ver, de sentir 'aquela' pessoa, num silêncio que por si só servia de compasso. Quantas vezes, por outra perspetiva, desejou que o tempo avançasse, pois estava a ser insuportável segurar, manter, esse contacto visual? "O olhar indiferente é um perpétuo adeus" já dizia Malcolm de Chazal.

Pois é. O nosso cartão de visita, o nosso olhar que agora é também o nosso abraço, estava adormecido. Talvez tenha chegado o tempo de resgatá-lo, visto que vai ser o seu melhor amigo (ou, pior inimigo, depende do que vai querer continuar a esconder) nesta nova vida que vivemos.

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