Ainda há um ano, ninguém imaginaria tantas mudanças de comportamentos em tão poucos meses. O mundo não para e, como vimos em 2020, um ano marcado pelo surto pandémico que confinou o mundo e mudou hábitos, obriga-nos a ter de evoluir com ele a uma velocidade que nem sempre é a nossa. Os avanços científicos e as inovações tecnológicas já moldam a forma como trabalhamos, como nos relacionamos e até a relação que temos com as doenças. Mas há novas mudanças em perspetiva em 2021.

1. Privacidade no topo das prioridades

Muitos especialistas nacionais e internacionais não têm dúvidas. A privacidade tem de voltar a ser uma coisa… privada! Nos últimos anos, com a explosão das redes sociais, muita informação que não deveria sair do foro íntimo passou a ser (quase) global, o que gerou uma nova série de preocupações, como denunciou o filme documental "The social dilemma", estreado em janeiro. Em 2021, tal como nos anos anteriores, muitos cidadãos vão sentir necessidade de se resguardar mais.

O encerramento de contas em redes sociais como o Facebook e o Instagram é uma realidade. O anúncio de novas iniciativas que protegem os seus direitos é aguardado com expetativa. A nova legislação traz com ela novos desafios para operadores, empresas e reguladores. Muitos analistas acreditam que empresas demasiado dependentes da informação que obtêm dos consumidores, como o Facebook, o Google ou a Amazon, podem vir a ser prejudicadas pelas novas diretivas.

2. Saúde (ainda) mais tecnológica

A pandemia viral de COVID-19 levou uma geração que não usava as novas tecnologias a ter de se familiarizar com elaas. Aplicações móveis que detetam, previnem e/ou curam doenças vão continuar na mira dos investigadores. Numa altura em que mais de dois mil milhões de pessoas em todo o mundo já usam smartphones, os especialistas veem aqui um mercado emergente com um enorme potencial que muitas empresas, como se tem visto nos últimos anos, não vão querer desperdiçar.

3. Regimes alimentares à base de plantas em voga

A guerra à carne e ao açúcar promete intensificar-se. A promoção da chamada clean food, um conceito cada vez mais em voga, volta a dar protagonismo aos vegetais, às frutas, às leguminosas, às hortaliças e aos cereais, condenando o consumo excessivo de alimentos produzidos industrialmente. Os regimes alimentares à base de plantas e o veganismo integram as listas elaboradas pelos especialistas. Um dos argumentos mais usados é a necessidade de proteger os recursos do planeta.

4. Máquinas que substituem pessoas

Más notícias para quem anda à procura de emprego e até mesmo para quem tem vínculos laborais num ano que será marcado por muitas falências e despedimentos. À semelhança das últimas décadas, novas tecnologias e inovações vão conseguir fazer o trabalho que até aqui era assegurado apenas por pessoas, o que poderá gerar uma nova onda de perdas de postos de trabalho. A empresa europeia BlendBow, por exemplo, criou o Barmate, uma máquina que faz coquetels em 30 segundos.

15 tendências efetivas que vão continuar a mover o mundo em 2018

5. Volunturismo e ecoturismo em alta

A necessidade de partir em busca do exótico e do autêntico, já sentida em anos anteriores, é outra das tendências para 2021. O regresso às raízes e a (re)descoberta das especificidades de cada povo levará muitos turistas e viajantes a trocar aviões, hotéis e resorts por autocaravanas, por espaços de ecoturismo e por casas particulares, como também já se verificou nestes tempos de pandemia viral. As viagens gastronómicas, o glamping, os cruzeiros e as experiências de voluntariado no estrangeiro estarão em alta.

6. Geolocalização como ferramenta de negócio

Mais anúncios de promoções e ofertas no telemóvel e no computador. Para aproveitar o facto da maioria dos consumidores viver hoje permanentemente ligada e em rede, muitas empresas vão procurar tirar partido desta nova forma de vida para tentar gerar novas oportunidades de negócio, enviando as mensagens certas no momento mais oportuno, em função da geolocalização, que permite às marcas saber onde estão as pessoas. Nos últimos cinco anos, esta tendência tem vindo a ganhar (muito) terreno.

7. Igualdade de género mais igualitária

Os conceitos de virilidade e de masculinidade vão continuar a ter tendência a esbater-se, apesar dos retrocessos que pontualmente se verificam um pouco por todo o mundo. Nas últimas décadas, o papel social do homem mudou. Hoje, já não é, na sua maioria, o ser bruto e indelicado que se embriagava, batia na mulher e descurava afeto aos filhos. Nem todos se reveem na imagem do metrossexual mas já não têm dúvidas em reconhecer que o paradigma mudou.

Um estudo do instituto de pesquisas Pew Research Center, divulgado nos Estados Unidos da América em dezembro de 2017, elaborado com base num inquérito a 4.573 pessoas, revela que, apesar de 53% considerarem que a sociedade continua a proteger mais os homens, 32% também afirmam que sentem que as mulheres são mais reconhecidas. Ainda há meia-dúzia de anos, as percentagens eram mais díspares. Apesar de ainda haver um longo caminho a percorrer, há sinais positivos.

8. Realidade aumentada supera realidade virtual

O setor tecnológico vai continuar a apresentar inovações surpreendentes. A internet das coisas, IoT, sigla de Internet of Things, a expressão usada internacionalmente, vai ser integrada num número crescente de eletrodomésticos e de dispositivos eletrónicos, como se tem vindo a ver nos últimos anos. A marca de eletrodomésticos AEG lançou um forno com uma câmara integrada que permite ver o interior do aparelho nos dispositivos móveis.

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No mercado, existem atualmente outros eletrodomésticos que tiram partido das novas inovações para enviar para os consumidores informações que lhes permitem programá-los, tornando a sua gestão das tarefas do dia a dia muito mais prática e intuitiva. Muitos analistas estimam ainda que a realidade aumentada vai registar um crescimento maior e mais rápido do que o da realidade virtual agora em 2021.

9. Menos é cada vez mais

O regresso ao despojo e à simplicidade é outra das consequências da pandemia viral que obrigou o mundo a ter de rever prioridades. Há uns anos, o consultor Dave Bruno lançou "O desafio das 100 coisas", um livro que procurava combater o consumismo exacerbado e a necessidade excessiva que as pessoas têm de possuir coisas. A corrente de defensores desta necessidade tem vindo a conquistar novos seguidores um pouco por todo o mundo, com os millennials na génese desta nova realidade.

10. Cidadãos mais reinvindicativos

Os efeitos colaterais nem sempre serão os melhores mas muitas pessoas nem sequer se lembrarão de os ponderar. Num mundo cada vez mais em rede, os cidadãos vão tender a manifestar-se mais contra o que não querem do que a arregaçar as mangas e a lutar pelo que querem, como se tem visto em várias partes do mundo. Portugal continua a ser tradicionalmente um país de brandos costumes mas os cidadãos estão mais atentos. A intimidação nas redes sociais, essa, vai continuar a intensificar-se.

11. O imperativo de (re)descobrirmos quem somos

O conforto e o calor que sentíamos na presença dos nossos avós e bisavós, muitas vezes associados a memórias sensoriais materializadas em cheiros e sabores, vai levar muitas pessoas a fazerem um regresso ao passado, em busca de alimentos, de atividades, de locais de amigos que se perderam no tempo. Muitos analistas referem mesmo que as viagens em busca das origens vão estar em alta. Em tempo de pandemia viral de COVID-19, essa necessidade intensificou-se nas fases de maior afastamento.

12. Empobrecimento ideológico e maior discriminação social

Apesar dos (incessantes) apelos à diversidade e à pluralidade de opiniões, há que enfrentar a realidade. Num mundo globalizado como o de hoje, as pessoas vão tender, cada vez mais, a ignorar quem tem pontos de vista diferentes dos seus, procurando sites e blogues em sintonia com a sua forma de pensar em detrimento dos outros, o que gerará um empobrecimento ideológico e uma maior discriminação social. Nas redes sociais, a intolerância, a ofensa e a intimidação passaram a ser a nova realidade.

13. Empresas (ainda) mais atentas às nossas preferências

O nosso passado e o nosso presente vão perseguir-nos. Os profissionais de marketing e os analistas de informação vão estar atentos ao que pesquisamos na internet, aproveitando essa monitorização da nossa vida para nos colocarem à frente produtos, serviços e até conteúdos que julgam que são perfeitos para nós. Muitos deles serão oferecidos em função da nossa localização geográfica. A pandemia de COVID-19 levou muitas empresas a rever a sua atividade em função dos (novos) gostos e necessidades.

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14. Fato e gravata em desuso

O fato e gravata tende a perder (ainda mais) terreno em 2021, à semelhança do que tem vindo a acontecer nos últimos anos. À imagem de Mark Zuckerberg, os novos milionários e as estrelas do setor tecnológico surgem cada vez mais em público com t-shirts e calças de ganga, inclusive em momentos mais formais, imitando muitas das celebridades nacionais e internacionais. A pandemia e o teletrabalho também levaram muitos a optar por peças de roupa mais confortáveis e menos formais.

15. Mais bicicletas e mais ciclovias

Mais vantagens para quem troca o carro pela bicicleta. Em muitas cidades europeias, incluindo Lisboa, autarcas e ecologistas insistem na promoção da utilização deste meio de transporte como forma de resolver alguns dos principais problemas de mobilidade urbana, ainda que muitas das políticas e das estratégias adotadas nem sempre sejam bem sucedidas e, nalguns casos, só piorem a circulação, como se tem vindo a verificar nalgumas das artérias da capital portuguesa, sem ganhos significativos para o planeta.

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