Esta planta é célebre desde 1838, quando foi feito o isolamento do ácido salicílico, que constitui a base da aspirina. A presença de salicilato de metilo confere à planta propriedades antipiréticas, anti-inflamatórias, anti-reumática e anti-agregante plaquetária, os flavonoides e hetrósidos aumentam a atividade anti-inflamatória e diaforética. Os taninos que esta variedade botânica integra têm uma ação adtringente.

Podem recomendar-se em casos de diarreia, incluindo diarreia infantil, pois a sua ação é bastante suave. Em fitoterapia, a planta funciona melhor como um todo do que os seus componentes isolados. A presença de taninos e de mucilagem ajuda a combater os efeitos adversos dos salicilatos isolados que podem causar irritações gástricas. Daí ser muito aconselhada para problemas de hiper-acidez do estômago.

É também recomendada para outros problemas do aparelho digestivo como flatulência, problemas de fígado e úlceras gástricas, mau hálito, refluxo gástrico e ainda cistite. É muito eficaz para combater febres e gripes, pedra na bexiga, celulite, reumatismo, crónico, arterite, dores menstruais, dores de cabeça, edema, diurese e ureia. Veja também a galeria de imagens com plantas, frutos e mezinhas naturais que emagrecem.

Constituintes

Além de flavonoides, a ulmária integra glicósidos, taninos, sais minerais, vitamina C, salicilato de metilo e mucilagem.

Culinária

Tanto as folhas como as flores da ulmária são comestíveis. As flores, que têm um leve aroma a amêndoa, podem adicionar-se a sobremesas várias como fruta cozida, arroz-doce, compotas e até vinho. Na primavera, as folhas frescas podem juntar-se a sopas e saladas.

Os outros nomes que lhe dão

A ulmária, que tem Filipendula ulmaria L. como nome científico, é uma planta altiva e delicada, herbácea, vivaz, da família das rosáceas. Encontra-se na Europa (exceto no litoral mediterrânico) e na América do Norte. Em Portugal, cresce especialmente no Minho e em Trás-os-Montes, em lameiros e locais húmidos. Pode atingir 1,5 metros de altura, apresenta um caule robusto, duro e sulcado, folhas grandes, aromáticas e compostas.

São verde-escuras na página superior e branca na inferior. Tem estípulas em forma de meia coroa e serradas. Em junho, julho e agosto, a ulmária dá uma flor branco-amarelada de aroma doce e perfumado, algo semelhante à amêndoa. As raízes desta variedade botânica são fibrosas. É conhecida também por erva-das-abelhas, rainha-dos-prados ou erva-ulmeira. Em inglês tem o nome de meadowsweet e em francês ulmaire.

História

Na antiga cultura celta, a ulmária é uma das três ervas mais sagradas dos druídas (as outras são a menta aquática e a verbena). Na Idade Média, era já bastante conhecida dos botânicos que a consideravam uma planta cujo aroma alegrava o coração e deliciava os sentidos, daí ser também usada em poções mágicas. Nalgumas culturas, em dia de casamento, as flores são espalhadas no chão para a noiva pisar.

Mas a ulmária tornou-se, sobretudo, célebre em 1838, quando foi feito o isolamento do ácido salicílico nela contido, que mais tarde foi sintetizado como ácido acetil-salícilico, que constitui a base do que hoje conhecemos como aspirina. O nome de aspirina tem origem no antigo nome desta planta (Spirea ulmaria). Para além da ulmária, fez-se também o isolamento deste componente existente no salgueiro (Salix alba).

No jardim

Propaga-se por semente a partir de março, podendo demorar cerca de três meses a germinar. A ulmária pode replantar-se, deixando cerca de 30 centímetros de intervalo entre as plantas. Prefere solo húmido com muito sol ou sombra parcial e é ideal para plantar perto de zonas de água. Utilizam-se as folhas, as flores e também as raízes das plantas com mais de três anos, cujo suco negro se utiliza para tingir tecidos.

Texto: Fernanda Botelho

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