Estima-se que a osteoporose afete 75 milhões de indivíduos na Europa, Estados Unidos da América e Japão. Em Portugal, cerca de 500 mil pessoas são vítimas desta doença caraterizada pelo enfraquecimento progressivo da massa óssea.
A osteoporose é a doença metabólica do osso mais prevalente, que se carateriza por uma deterioração da estrutura e da qualidade do tecido ósseo, causando uma diminuição da resistência do osso.
Segundo Ana Paula Barbosa, médica endocrinologista e Secretária Geral da SPODOM – Sociedade Portuguesa de Doenças Ósseas Metabólicas, a osteoporose “é atualmente considerada um grave problema de saúde pública, com um peso semelhante às doenças cardiovasculares e ao cancro. As consequências desta doença, que torna os ossos mais frágeis, levam a que um traumatismo mínimo,
como uma queda da própria altura ou um simples movimento corporal, possa originar uma fratura”.
Causas e sintomas
A causa principal da osteoporose é o envelhecimento. Ana Paula Barbosa acrescenta que “a sua prevalência está em crescendo contínuo com o aumento da longevidade. Ou seja, à medida que a idade avança, a probabilidade de ter a doença aumenta”.
No entanto, existem diversos fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da osteoporose. Nas mulheres, que são as mais afetadas por esta doença, com maior prevalência após os 65 anos de idade, a menopausa representa uma importante causa. As alterações hormonais resultantes desta situação aceleram a perda de massa óssea e aumentam o risco de aparecimento da doença.
”Medicações prolongadas como corticóides e hormona tiroideia, tabaco, alcoolismo crónico, alimentação deficiente, baixa ingestão de produtos lácteos, exposição solar reduzida (que leva a um défice de vitamina D), sedentarismo ou imobilização prolongada são fatores modificáveis que  também podem conduzir à osteoporose”, acrescenta a médica endocrinologista.

Dado que se trata de uma doença silenciosa e progressiva, não existem sintomas até que ocorra a primeira fratura, que é também o primeiro sinal de alarme.
De acordo com Ana Paula Barbosa, “assim que esta ocorra, o doente deve ser imediatamente avaliado em termos de factores de risco para a osteoporose e a sua massa óssea também deve ser avaliada.
Os locais principais de fraturas são o punho, a coluna vertebral e a anca (colo do fémur).
Na maioria dos casos estas originam dor, perda de função e diminuição da qualidade de vida, mas no caso das fraturas da anca, podem mesmo chegar a ser fatais”.
Além da ocorrência da primeira fratura, pode também suspeitar-se da doença quando existe uma perda de estatura superior a três centímetros, desenvolvimento de uma cifose progressiva ou se um exame apontar para a suspeita de redução da densidade óssea.
Diagnóstico: osteoporose. E agora?
Estima-se que uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens após os 50 anos irá sofrer uma fratura osteoporótica.
Mais: a cada três segundos ocorre uma fratura deste género num qualquer lugar do planeta, o que leva à conclusão que a osteoporose é, de facto, um grave problema de saúde que vitima milhões de pessoas à volta do globo.
Mas após o diagnóstico, existem meios para que os doentes recuperem a sua vida e não se tornem escravos da doença. 
“As primeiras medidas são relacionadas com o estilo de vida e incluem a adequada ingestão de produtos lácteos, exposição solar (cerca de 20 a 30 minutos por dia), prática de exercício físico regular adequado à situação clínica do doente e redução ou abolição por completo do tabaco e do álcool”, afirma a Secretária-Geral da SPODOM. “Seguidamente, é necessário ministrar suplementos de cálcio e vitamina D e, quando existe fratura, está indicado o tratamento com fármacos anti-osteoporóticos, tendo sempre em atenção a função renal, os efeitos laterais e o tempo máximo de prescrição”.

Proteja os seus ossos
Independentemente de sofrer ou não de osteoporose, o primeiro passo para prevenir a doença é a proteção dos ossos. Uma boa alimentação, exposição regular ao sol, prática de exercício físico e uma geral adoção de hábitos saudáveis são medidas que promovem a saúde dos ossos e que devem ser tomadas na sua vida.
No entanto, as vítimas de osteoporose, para além do devido acompanhamento médico e medicação, devem evitar a todo o custo o surgimento de novas fraturas, sendo esta a prioridade número um.
Ana Paula Barbosa aconselha que “exista uma avaliação à medicação que possa causar ou propiciar os desequilíbrios.
Recomendo também a utilização de calçado bem adaptado, auxiliares de marcha e protetores de ancas e é necessário que se corrijam possíveis defeitos de visão. Uma casa bem iluminada, sem tapetes ou fios pelo chão, é algo a fazer para prevenir as quedas.”
Avalie o grau de osteoporose Atualmente, para avaliar a gravidade da doença e o risco de fratura, é possível utilizar o Frax. Esta ferramenta, desenvolvida pela Organização Mundial de Saúde, é simples de utilizar em qualquer consultório através do acesso à internet.
Ana Paula Barbosa, médica endocrinologista explica que o Frax “é um algoritmo computorizado que permite avaliar o risco de fratura a 10 anos ou da anca ou de qualquer fratura osteoporótica major. Para tal, basta introduzir alguns fatores de risco clínico associados ou não ao T-Score no colo femoral, no portal do respectivo país. Em Portugal, foi efetuado recentemente um estudo que envolveu diversas sociedades científicas e associações de doentes e permitiu que esta ferramenta fosse adaptada com os dados epidemiológicos ajustados à população portuguesa – basta aceder ao portal Google e pesquisar Frax Portugal”.

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