As gémeas “milagre” de raças diferentes que são a capa da National Geographic

Aos 11 anos estas meninas foram escolhidas por esta revista para retratar uma edição exclusiva dedicada ao tema da raça e da discriminação racial. Filhas de mãe inglesa e pai jamaicano, Marcia e Millie têm feições similares, mas cor de pele e cabelo diferente.

São gémeas dizigóticas ou fraternas, ou seja, são formadas a partir de dois óvulos distintos. Desenvolveram-se em placentas diferentes e, por isso, não partilharam o mesmo saco amniótico.

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Nasceram em julho de 2006 e desde logo despertaram todas as atenções. "Às vezes é irritante, as pessoas param na rua, ficam a olhar, mas depois lembro-me que elas são lindas e que tenho muita sorte em tê-las na minha vida. A irritação passa", comenta a progenitora Amanda Wanklin, citada pela imprensa britânica.

"Alguns professores não acreditavam, mas, depois de conhecê-las, perceberam logo como são parecidas", disse ainda.

Com o cabelo louro e pele clara, Marcia herdou os traços da mãe, enquanto Millie sai ao pai com os cabelos castanhos e pele escura. Com o passar do tempo, "as pessoas simplesmente começaram a ver a sua beleza", comenta a mãe que sabe que as suas "meninas milagre" não são caso único no mundo.

De acordo com a BBC, que cita o investigador Jim Willson, um geneticista e investigador da Universidade de Edimburgo, casos como o destas irmãs são raros e acontecem em cada 500 nascimentos fruto de casais interraciais.

Gémeos dizigóticos de pais diferentes? É possível

Os gémeos dizigóticos não se assemelham muito entre si. Podem ter ou não o mesmo grupo sanguíneo, assim como podem ser do mesmo sexo ou não.

Na verdade, os gémeos dizigóticos são dois irmãos que tiveram uma gestação coincidente. Estes representam 66% de todas as gestações gemelares e, neste tipo de gestação, um terço tem sexos diferentes, enquanto dois terços possui o mesmo género. Porém, são casos raros: apenas um em cada um milhão de gémeos deste tipo têm cores de pele diferentes.

É ainda possível que gémeos fraternos tenham pais diferentes: chama-se superfecundação heteropaternal e ocorre quando uma mulher produz dois óvulos durante o mesmo ciclo e ambos são fertilizados por dois homens diferentes num intervalo inferior a 48 horas. Apesar de raro, pode acontecer. Não foi, no entanto, o que aconteceu neste caso.

Marcia e Millie são filhas do mesmo pai e da mesma mãe e a prova de que "a compreensão da genética humana diz-nos que a ideia de raça é uma invenção humana". Quem o diz é Alicia Martin, investigadora no Broad Institute em Cambridge, Massachusetts, citada pela referida revista.

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