Com a chegada do bom tempo há uma maior predisposição para a prática desportiva, especialmente ao ar livre. Mas, ao mesmo tempo que a atividade física impera, os riscos de lesão também também se multiplicam, sendo as entorses do tornozelo as lesões mais comuns associadas à prática desportiva não profissional.

As entorses costumam ocorrer associadas a um movimento atípico, geralmente rotacional e que obriga o corpo a sair da sua posição normal. São lesões comuns que podem ocorrer a pessoas de todas as idades independentemente da sua experiência ou nível de condição física.

Quando os ligamentos - tecidos fortes e fibrosos que ajudam a manter os ossos na posição adequada e a estabilizar a articulação -  que suportam o tornozelo se estiram para além dos seus limites e “rompem”, ocorre uma entorse. Dependendo do dano que é feito nos ligamentos, podem ser lesões leves ou graves. Se existe uma rotura completa dos ligamentos, o tornozelo pode tornar-se instável e, ao longo do tempo, pode resultar em lesões para os ossos e para a cartilagem da articulação do tornozelo.

A maioria das entorses são lesões menores que curam com repouso e aplicação de gelo. No entanto, se o tornozelo está muito inchado e doloroso, deve consultar o seu médico. Sem tratamento adequado e reabilitação, uma entorse mais grave pode enfraquecer o tornozelo tornando mais provável que outra entorse ocorra novamente. Se estas lesões ocorrerem de uma forma repetida podem levar a problemas de longo prazo, incluindo dor crónica no tornozelo, artrose e instabilidade.

É por isso importante estar alerta para sintomas como dor, inchaço, contusão ou hematoma, dor à palpação e mobilização, incapacidade para deambular parcial ou total e instabilidade do tornozelo, que pode ocorrer quando houver rotura completa dos ligamentos ou uma luxação completa da articulação do tornozelo.

Se houver rotura grave dos ligamentos pode ouvir-se ou sentir-se um “estalar” quando a entorse ocorre. Os sintomas de uma entorse grave são semelhantes aos de um tornozelo partido, sendo necessária uma avaliação imediata por um médico ortopedista, preferencialmente com diferenciação na área do pé/tornozelo.

E como se trata uma entorse do tornozelo? Quase todas estas situações são tratadas sem cirurgia. Até mesmo uma rotura completa dos ligamentos pode curar sem reparação cirúrgica, se tratada de forma adequada.

Mediante a situação, pode ser necessário adotar medidas mais simples, para melhorar os sintomas, ou mais complexas, como a imobilização tornozelo. O tempo de tratamento, assim como a necessidade de um plano de Medicina Física e Reabilitação, através de Fisioterapia, depende também da severidade da lesão e da sua evolução.

A cirurgia é reservada para lesões que não respondem ao tratamento não cirúrgico e para pessoas que sofrem de instabilidade do tornozelo persistente após meses de reabilitação e tratamento não cirúrgico. Opções cirúrgicas podem incluir a Artroscopia do Tornozelo e a reparação ligamentar. A reabilitação após a cirurgia envolve tempo e atenção para restaurar a força e amplitude de movimento, para que possa voltar ao nível de atividade prévio. O período de tempo de reabilitação depende da extensão da lesão e da cirurgia efetuada e será indicado pelo seu Médico Ortopedista.

A atividade ou o desporto que causou a lesão devem ser evitados até à cura. Poderá, ainda, optar por substituir por atividades que não forcem a zona lesionada. Para prevenir a ocorrência de lesões, é muito importante o aquecimento antes de se iniciar qualquer exercício, fazer alongamentos e usar calçado adequado.

Um artigo de Manuel Santos Carvalho, Médico Ortopedista e responsável da Unidade do Pé e Tornozelo no Hospital CUF Porto.

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