1. As dores da coluna vertebral são sempre causadas pelas hérnias discais e pelas artroses

As hérnias discais e as artroses estão incluídas na espondilose degenerativa que é a doença mais frequente da coluna vertebral.

A frequência das hérnias discais e das artroses aumenta com a idade, a partir dos 30 anos. Aos 80 anos, todas as pessoas têm artroses da coluna vertebral.

O que é interessante é que, muitas pessoas têm hérnias discais ou artroses, mas não têm dor.

Por outro lado, em muitas pessoas com dor, esta não pode ser relacionada diretamente com as hérnias discais ou as artroses.

Finalmente, as dores da coluna vertebral podem ser causadas por fraturas após traumatismos, doenças reumáticas como a artrite reumatóide e a espondilite anquilosante, as infeções e os tumores. Estas doenças são mais raras mas mais graves e devem ser diagnosticadas e tratadas numa fase inicial.

Ou seja, dor nas costas não é sinónimo de hérnias discais ou artroses.

2. As hérnias discais e as artroses são provocadas pelas posturas e os pesos

A principal causa das hérnias discais e das artroses é genética ou hereditária, ou seja, a tendência para as desenvolver durante a vida é transmitida de pais para filhos.

A postura, os pesos suportados, os movimentos repetitivos e a vibração também desempenham um papel importante mas secundário.

Os problemas de dor na coluna vertebral são mais frequentes em pessoas com excesso de peso, fumadores e com estilo de vida sedentário ou pouca atividade física.

Ou seja, a nossa tendência para desenvolver hérnias discais ou artroses está definida pela nossa genética. Contudo o nosso estilo de vida vai definir se o envelhecimento da coluna vertebral vai acontecer de forma mais ou menos rápida e se esse envelhecimento produz dor e incapacidade.

3. A COVID-19 afeta o sistema respiratório mas também outros órgãos, nomeadamente, a coluna vertebral

De muitos milhões de pessoas que foram infetadas pelo vírus, nenhuma desenvolveu um problema da coluna vertebral diretamente relacionado com a coluna vertebral.

Contudo, algumas pessoas desenvolveram lesões do sistema nervoso e muitas desenvolveram cansaço intenso e prolongado (até 6 meses), o que, indiretamente, afeta a saúde da coluna vertebral.

Por um lado, devido ao confinamento, muitas pessoas ganharam peso, passam mais tempo sentados, reduziram o exercício físico, estão submetidas a maior stress psicológico e fumam mais. Estes hábitos de vida são responsáveis pelo surgimento de doenças da coluna vertebral bem como pelo agravamento de doenças prévias que estavam bem compensadas.

4. As pessoas com dor na coluna vertebral devem ficar em repouso absoluto

Para a grande maioria das pessoas, o repouso absoluto não ajuda e é prejudicial e perigoso.

O repouso absoluto por mais de 3 dias causa: perda de resistência cardíaca, respiratória e muscular; medo de ser incapaz de retomar a vida prévia; doenças muito graves como a trombo-embolia e as infeções.

Num episódio de dor na coluna vertebral, as pessoas devem manter, tanto quanto possível, as atividades da sua vida pessoal, familiar, social e laboral.

5. Quem tem doenças da coluna vertebral não deve realizar exercício físico

Quem não tem problemas da coluna vertebral deve praticar exercício físico para os evitar.

Por outro lado, o exercício físico é uma parte fundamental no tratamento das pessoas com doenças da coluna vertebral.

As atividades que impliquem suportar grandes pesos (halterofilismo) ou trepidação  (motociclismo, BTT) devem ser evitadas.

Entre as atividades com benefício demonstrado incluem-se: modalidades simples como a caminhada e a corrida, preferencialmente em terra ou passadeira; modalidades mais estruturadas como o pilates e o RPG.

O objetivo é melhorar a resistência cardíaca e respiratória, a flexibilidade da coluna vertebral e a força dos músculos que a suportam.

É fundamental que se escolha uma modalidade compatível com a rotina diária de modo a ser consistente.

Por outro lado, é importante que haja um aumento gradual do número de sessões, da duração das sessões e da sua intensidade.

Um artigo do médico Bruno Lourenço Costa, neurocirurgião na Paincare.

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