SAPO LIFESTYLE: Quais são os benefícios dos alimentos ricos em antioxidantes?

Alexandra Bento: Os antioxidantes são responsáveis pela inibição ou redução das lesões causadas pelos radicais livres nas células, pelo que exercem efeitos anti-cancerígenos, protegem contra as doenças neurodegenerativas e cardiovasculares, estimulam o sistema imunitário a combater os agentes patogénicos e combatem o envelhecimento.

Os seres humanos possuem enzimas antioxidantes que reagem com os compostos oxidantes e protegem as células e os tecidos do stress oxidativo. Para além dos efeitos protetores dos antioxidantes endógenos, é de grande importância assegurar uma dieta rica em alimentos antioxidantes (antioxidantes não enzimáticos).

A fruta e os hortícolas são ricos em substâncias antioxidantes pelo que o seu consumo está relacionado com a diminuição do risco de desenvolvimento de doenças associadas ao acumular de radicais livres. Nos alimentos há várias substâncias com capacidade antioxidante podendo destacar-se a vitamina E, a vitamina C, os carotenoides, os flavonóides e o selénio.

SAPO LIFESTYLE: Alguns estudos referem que pessoas com algumas doenças, nomeadamente cancro, podem correr riscos acrescidos se consumirem antioxidantes de forma indiscriminada. Porquê?

Alexandra Bento, Nutricionista
Alexandra Bento, Nutricionista créditos: DR

Alexandra Bento: Os antioxidantes podem, em algumas circunstâncias, ter uma ação pro-oxidante. Por exemplo, existem evidências experimentais da vitamina E, usualmente um antioxidante que previne as oxidações no plasma, poder transformar-se num pro-oxidante quando presente em níveis elevados. Esta é uma chamada de atenção para um potencial risco associado a níveis de antioxidantes excessivos, podendo um consumo demasiado elevado em antioxidantes não ser benéfico.

SAPO LIFESTYLE: Que grupos de pessoas é que não podem consumir antioxidantes?

Todas as pessoas devem consumir alimentos ricos em antioxidantes como é o caso da fruta e hortícolas.

SAPO LIFESTYLE: Mas existe alguma contraindicação na ingestão de antioxidantes?

Alexandra Bento: Os antioxidantes podem, em algumas circunstâncias, quando presentes em níveis elevados, ter essa ação pro-oxidante. Dada a complexidade dos efeitos biológicos dos antioxidantes, o modo científico para se determinar as eventuais contraindicações e a dosagem ótima é obtida através de ensaios clínicos, semelhantes aos desenvolvidos para os fármacos. Contudo, existem alguns obstáculos nestes procedimentos, apesar de já haverem alguns ensaios clínicos.

No geral, estes estudos indicam que suplementações com grandes quantidades de antioxidantes não são benéficas. Mas uma alimentação equilibrada rica em antioxidantes, provenientes de hortícolas e fruta, é benéfica.

SAPO LIFESTYLE: Quem é que deve apostar numa alimentação rica em antioxidantes?

Alexandra Bento: Indivíduos com história familiar de doenças induzidas pelos radicais livres (como cancro, doenças cardiovasculares ou doenças neurodegenerativas) e quem está mais exposto a fatores que aumentam a sua formação (fatores internos – respiração aeróbia, inflamações, enzimas do citocromo P450, etc; fatores externos – ozono, radiações ultravioletas, medicamentos, tabaco, etc) podem apostar numa alimentação rica em antioxidantes.

SAPO LIFESTYLE: O que é que os antioxidantes fazem ao nosso corpo?

Alexandra Bento: Os antioxidantes são capazes de inibir a oxidação de um substrato quando presentes em concentrações mais baixas que esse substrato. Todos sabemos que alguns alimentos escurecem (oxidam) quando expostos ao ar (por exemplo, maçãs, peras, bananas e batatas) e que o podemos inibir com a adição de umas gotas de limão ou laranja (pela presença da vitamina C que tem capacidade antioxidante). Ora, a oxidação também pode ocorrer no nosso organismo resultando em danos dos componentes celulares, podendo surgir ou evoluir determinadas doenças. Ao combater o stress oxidativo, isto é, o excesso de oxidações de componentes celulares, os antioxidantes podem ter efeitos benéficos para a saúde.

SAPO LIFESTYLE: Como é que os antioxidantes presentes nos alimentos atuam no corpo humano?

Alexandra Bento: Em condições normais, o nosso sistema de defesa interno é suficiente para nos proteger. Contudo, em muitas situações, a produção de radicais livres é superior ao normal, o que deixa o indivíduo vulnerável, pelo que deverá ser acautelada a inclusão de antioxidantes na dieta através do consumo de fruta e hortícolas, para que seja possível diminuir o risco de desenvolvimento de doenças associadas ao aumento de radicais livres.

Os estudos sobre os antioxidantes têm ressaltado, principalmente, o uso de nutrientes isolados no tratamento e prevenção de doenças. Entretanto, nos alimentos são encontradas uma grande variedade de substâncias que podem atuar em sinergia na proteção das células e tecidos. O efeito cooperativo entre as vitaminas C e a vitamina E é frequentemente mencionado na literatura, mostrando que a interação dessas vitaminas é efetiva na inibição da peroxidação dos lipídeos da membrana e na proteção do ADN.

A importância respeitante ao desempenho dos antioxidantes in vivo depende de vários fatores, nomeadamente: tipos de radicais livres formados; onde e como são gerados esses radicais; análise e métodos para a identificação dos danos, e doses ideais para obter proteção. Assim, é perfeitamente possível que um antioxidante atue como protetor em determinado sistema, mas que falhe na proteção, ou mesmo que aumente as lesões induzidas noutros sistemas ou tecidos.

A vitamina C, por exemplo, atua na fase aquosa como um excelente antioxidante sobre os radicais livres, mas não é capaz de agir nos compartimentos lipofílicos para inibir a peroxidação dos lipídeos. Por outro lado, estudos in vitro mostraram que essa vitamina na presença de metais de transição, tais como o ferro, pode atuar como uma molécula pró-oxidante e gerar alguns tipos de radicais livres. Geralmente, esses metais estão disponíveis em quantidades muito limitadas e as propriedades antioxidantes dessa vitamina predominam in vivo.

SAPO LIFESTYLE: Quais são os alimentos mais ricos em antioxidantes?

Alexandra Bento: A fruta e os hortícolas possuem grande riqueza em substâncias antioxidantes pelo que o seu consumo está relacionado com a diminuição do risco de desenvolvimento de doenças associadas ao acumular de radicais livres. Entre estes últimos pode destacar-se , o a-tocoferol (vitamina E), o b-caroteno, o ácido ascórbico (vitamina C), os flavonóides e o selénio.

SAPO LIFESTYLE: Devemos ingeri-los em alguma altura em particular do dia?

Alexandra Bento: Não há altura em particular para a ingestão de alimentos ricos em antioxidantes. Estes alimentos devem estar enquadrados naturalmente no dia alimentar.

SAPO LIFESTYLE: A cozedura pode anular os efeitos dos antioxidantes? Que outros processos de cozinha podem colocar em causa os seus benefícios naturais?

Alexandra Bento: Alguns antioxidantes são sensíveis à temperatura e à luz, como é o caso da vitamina C, sendo benéfico consumir alimentos ricos em antioxidantes, como fruta e hortícolas, com menor processamento culinário, ou seja, sempre que possível crus e colhidos há pouco tempo.

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