FOTO:  EPA/ANTONIO LACERDA

"Cabo Verde fez um trabalho muito bom porque tem um compromisso político importante, tem um plano intersectorial e tem respondido muito bem nos cuidados e atenção às crianças com deficiência. E tem visto isso como oportunidade de melhorar os direitos e a situação das crianças com deficiência", disse, na cidade da Praia, o conselheiro global do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Koenraad Vanormelingen.

No caso do Brasil, o responsável salientou que a resposta "tem sido fantástica", com uma mobilização social, de voluntários, dos pais e da comunidade para apoiar todas essas crianças.

Mas confirmou que existem casos em que pais abandonaram as suas mulheres após saberem que os filhos tinham microcefalia, tendo classificado o número de casos como um 'tsunami', que acontece sobretudo nos meios rurais e em famílias desfavorecidas.

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O Brasil, país mais afetado pela epidemia de Zika, contabiliza 1.709 casos de microcefalia em recém-nascidos desde outubro do ano passado, enquanto Cabo Verde soma 13 casos num total de 7.500 casos diagnosticados.

Koenraad Vanormelingen, que falava aos jornalistas no final de uma visita de quatro dias a Cabo Verde para conhecer as iniciativas do país em matéria de resposta à epidemia de Zika, sugeriu a realização de intercâmbio de especialistas entre os dois países lusófonos.

No caso de Cabo Verde, o conselheiro global da UNICEF alertou que é provável que esta foi a "primeira onda" de infeções pelo vírus Zika e que, com as chuvas, os mosquitos irão voltar e a epidemia também poderá repetir-se.

O responsável lembrou que, no início da semana, o Governo cabo-verdiano lançou uma campanha nacional de sensibilização e prevenção contra doenças transmitidas por mosquitos, que irá decorrer antes, durante e depois da época das chuvas que se avizinha.

A campanha consiste no reforço das atividades de sensibilização, limpeza dos bairros em todos os municípios do país, que em 2009 enfrentou uma epidemia de dengue, com mais de 20 mil casos e seis mortos, e também tem ligações frequentes com Angola, país que desde dezembro último enfrenta uma epidemia de febre-amarela.

Koenraad Vanormelingen ressalvou que a doença ainda não terminou, embora com um declínio nos últimos meses, mas salientou, por isso, que o país africano "não deve baixar a guarda" e pediu responsabilidade a todos na luta contra o mosquito transmissor do Zika, o mesmo que transmite a dengue, febre-amarela e Chikungunya.

Além da campanha de sensibilização, o especialista aconselhou o país a reforçar a vigilância e diagnóstico, continuar a acompanhar a situação das mulheres grávidas e dar atenção às crianças com microcefalia.

Quanto à população, o conselheiro da UNICEF terminou pedindo que continue a trabalhar na eliminação dos criadores de mosquitos ao redor das casas, nos vasilhames, vasos, pneus, reservatórios, e que as mulheres se protegem, fazendo um teste durante as primeiras semanas de gravidez, e tomando medidas de proteção, como usar roupas de manga comprida e repelentes.

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