Um instrumento definido por cientistas portugueses para seguir, em tempo real, a comunicação entre as células já foi disponibilizado para vários laboratórios em todo o mundo, podendo ser utilizada pelos investigadores, disse hoje um dos seus autores.

O trabalho foi desenvolvido por Filipe Vilas-Boas e Rita Fior, sob orientação de Domingues Henrique, investigadores do Instituto de Medicina Molecular (IMM), e recebeu o prémio do BioMed Central Research para a área de neurociência, neurologia e psiquiatria.

Embora a investigação inicial tenha sido realizada nas células do sistema nervosos, "a ferramenta já foi enviada para vários laboratórios em todo o mundo que podem utilizar em outros sistemas, como no desenvolvimento do pancreas ou do intestino", explicou à agência Lusa Filipe Vilas-Boas.

O resultado do trabalho "fica disponível para outros investigadores através de uma publicação, a menos que seja registada patente, [o que não aconteceu, neste caso], ou apresentação em conferências científicas", acrescentou.

Atualmente, Rita Fior e Filipe Vilas-Boas já não trabalham neste projeto que prossegue num laboratório de Edimburgo.

"Estão a fazer galinhas transgénicas em que todas as células do organismo têm esta ferramenta, na mesma quantidade, e será possível a comparação entre células, tornando possível um estudo mais aprofundado", referiu o cientista.

"Fomos observar a sinalização Notch que é muito importante para o desenvolvimento do sistema nervoso e de outros sistemas, não só no embrião, mas também no adulto", disse Filipe Vilas-Boas.

Estes cientistas portugueses foram "pioneiros na visualização da sinalização Notch utilizando esta ferramenta, permitindo a observação em tempo real, em tecidos vivos e com elevada especificidade", resumiu.

Este conhecimento pode ser útil, por exemplo, para a medicina regenerativa que ainda não consegue gerar orgãos para transplantes a partir de células estaminais porque não se sabe qual o percurso que seguem.

O cientista frisou que "estes pequenos avanços científicos permitem conhecer o mapa global desta via das células e no futuro pode dar origem a terapias".

25 de junho de 2012

@Lusa

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