Catarina Pazes, presidente da APCP, afirma que se a canábis medicinal permite controlar sintomas, obviamente a expectativa dos paliativistas “é positiva”. Contudo, estes profissionais precisam ainda de discutir o assunto e de recolher mais informação.

Por esta razão, vai realizar-se o “Webcast Wecare – Utilização da Canábis medicinal em contexto de Cuidados Paliativos”, a 14 de julho, pelas 21h00.

A APCP está a organizar o Webcast “A Utilização da Canábis Medicinal em Contexto de Cuidados Paliativos”. Qual a importância de se realizar este tipo de formações destinadas a todos os profissionais de saúde?

Catarina Pazes (CP) – O foco de todos os profissionais de Cuidados Paliativos é ter o máximo conhecimento e ter ferramentas, para pôr ao serviço dos doentes.

Existe mais um fármaco que pode ser útil para os doentes, mas acerca do qual precisamos conhecer melhor as potencialidades – utilização e mais-valias. Neste sentido, a APCP encarou este momento como propício para organizar uma formação, sobre a utilização da canábis para fins medicinais, especificamente em Cuidados Paliativos.

Trata-se de uma terapêutica ainda um pouco estigmatizada. Qual é o papel da APCP no sentido de alterar esta realidade, junto dos profissionais que trabalham Cuidados Paliativos?

CP – A nossa missão é contribuir para o maior conhecimento, formação e acesso dos profissionais àquelas que são as melhores evidências científicas. Se há um estigma e se essa situação está, de algum modo, a prejudicar o acesso dos doentes a uma resposta que os beneficia, então a nossa missão é também facilitar o acesso à formação e à informação, com base científica. Precisamos de conhecer bem o fármaco, assim como os seus prós e contras, para tomarmos decisões informadas, fundamentadas e com uma base científica.

Quais são as expectativas dos profissionais de Cuidados Paliativos no que respeita a esta terapêutica: a diminuição da dor ou a melhoria da qualidade de vida em geral?

CP – Penso que a expectativa dos profissionais está mais associada à qualidade de vida em geral, já que este fármaco parece ter potencialidades em outras áreas para além da dor. De qualquer modo, temos vontade e precisamos de saber mais sobre isso, para podermos enquadrá-lo nos possíveis planos terapêuticos específicos dos doentes; e para que possamos pensar nesta possibilidade em determinadas situações, com o propósito de melhorar outros sintomas para além da dor.

Tendo em conta a atualidade e as indicações terapêuticas para esta classe, considera que as pessoas em Cuidados Paliativos que vão beneficiar com esta terapêutica vão ter acesso facilitado ou que poderá haver algum tipo de barreira?

CP – Uma das principais barreiras pode ser o facto de a canábis para fins medicinais ser ainda pouco conhecida pelos profissionais, pois não temos prática na utilização. A outra barreira está relacionada com o acesso dos doentes, devido ao custo associado e ao facto de, ainda, não ser um fármaco comparticipado. Este é um caminho que a canábis medicinal ainda tem de fazer: demonstrar e provar sobre a sua utilidade. É o caminho natural deste tipo de fármacos.

Por outro lado, a especificidade do tipo de utilização e da forma como a canábis medicinal terá de ser utilizada, pressupõe a capacidade do doente e/ou do cuidador em manusear bem a substância.

Em suma, penso que as limitações estão relacionadas com estas três questões: o conhecimento dos próprios profissionais da área e o “à vontade” com a sua utilização; o custo associado; e a forma de manuseio do fármaco pelos doentes e/ou cuidadores.

Quais os próximos passos a dar para ultrapassarmos estas barreiras?

CP – Posso começar por dizer que o próprio acesso aos Cuidados Paliativos também é limitado, por questões que se prendem com conhecimento vs desconhecimento sobre a área, assim como com a perceção da sociedade em geral, relativamente aos Cuidados Paliativos. E uma coisa está ligada à outra.

A sociedade precisa de saber mais, de ter mais informação correta, sem estigmas e sem mitos. A população precisa de ser mais informada e de ter mais literacia, para poder exigir e usar corretamente os serviços que tem ao seu alcance. Só assim vai chegar aos cuidados de que necessita, de uma forma adequada e no tempo certo.

A comparticipação de um determinado fármaco também passa pela exigência da própria sociedade. Porém, as pessoas só podem exigir algo se tiverem informação e a certeza de que é uma mais-valia. O caminho é informar e contribuir para a maior literacia nestas áreas.

Então, quando falamos em Cuidados Paliativos, quais são exatamente as indicações e as mais-valias da canábis medicinal? Em que situações deve ser utilizada?

CP – Essa é a base para o nosso webcast! São precisamente essas as dúvidas e as perguntas dos paliativistas – enfermeiros e médicos: “Que mais-valias pode ter este fármaco para os nossos doentes e para o nosso dia a dia?”

Acreditamos que a canábis para fins medicinais é útil, porque tem potencialidades que outras substâncias podem não ter. Mas, precisamos de a conhecer melhor e de a pensar entre paliativistas, para podermos definir o seu lugar, no dia a dia, como arma terapêutica.

Estou ansiosa por esta discussão. Vamos ter especialistas nas áreas da canábis e dos Cuidados Paliativos, assim como pessoas capazes de moderar uma discussão à volta da utilidade da canábis, em específico nesta área da saúde.

Em Cuidados Paliativos temos doentes de todas as áreas da Medicina, com todos os tipos de patologias, de todas as idades e com diferentes prognósticos. A ação dos Cuidados Paliativos é necessária sempre que existe sofrimento associado a doença grave e/ou incurável.. Se é um fármaco que existe para controlar sintomas, obviamente que a expectativa é positiva. Queremos discutir o assunto e ouvir quem sabe. Este webcast está a ser realizado porque é oportuno e necessário.

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