A resolução do problema, argumentou à agência Lusa o presidente do Conselho Regional do Sul da OM, Alexandre Valentim Lourenço, “passa pela contratação” de quadros suficientes, porque são necessárias “medidas que sejam definitivas”.

“Não são medidas para contratar hoje três pessoas e amanhã estar outra vez igual”, disse, frisando que a Urgência Pediátrica do HESE serve “todo o Alentejo” e “não pode ser fechada”.

As “outras unidades” de pediatria de hospitais da região “não têm condições, agora, esta também não tem condições. Se fecharmos a de Évora, a solução é mandarmos todas as crianças [da região] para Lisboa em situação de urgência? Isso é impossível, é impraticável”, argumentou.

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O presidente do Conselho Regional do Sul da OM falava à Lusa a propósito do documento, divulgado hoje e assinado por 21 dos 22 pediatras do HESE (o que não assinou está de baixa), que alerta para o risco de rotura da Urgência Pediátrica do hospital.

“Temos atualmente uma equipa exausta, envelhecida, insuficiente para assegurar as necessidades do serviço” e que “trabalha para além dos limites legais e humanamente razoáveis”, avisam os pediatras, frisando: “A escala de Urgência de Pediatria está atualmente em rotura”.

Escala com falhas

Segundo os médicos, a carência de especialistas faz com que a Urgência esteja “sem possibilidade de assegurar a totalidade dos dias” de escala, arriscando-se a ficar, “já este mês”, com “períodos de 12 horas sem pediatra”.

A tomada de posição, em que são também feitas críticas às instalações da Urgência Pediátrica, foi enviada para o conselho de administração do HESE, Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, OM, Sindicato Independente dos Médicos e Federação Nacional dos Médicos. Alexandre Valentim Lourenço reconheceu que “o que aconteceu em Évora acontece noutros hospitais” e noutras especialidades, mas “a Pediatria é uma área particularmente sensível”.

O HESE “tem obrigação de ter uma Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, uma Urgência Pediátrica aberta e apoio permanente na sala de partos para os partos de risco”, pelo que “os pediatras que existem são poucos para as necessidades”, afirmou.

A solução, insistiu, “passa pela contratação efetiva de quadros para os hospitais”, nomeadamente para Évora, e sobretudo “quadros jovens, porque não podem ser quadros com mais de 60 anos ou na pré-reforma”, os quais “já não fazem urgência”.

O responsável da OM admitiu que já tinha conhecimento dos problemas da Urgência Pediátrica de Évora, que lhe foram comunicados pelos médicos numa deslocação recente que efetuou ao HESE.

Segundo Alexandre Valentim Lourenço, na altura a administração do hospital alegou que, para resolver a carência de clínicos, “estava a pedir contratações”, mas, agora, a OM vai “tentar perceber onde é que existe o bloqueio na contratação”.

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