Marta Temido acompanhou hoje o primeiro-ministro, António Costa, numa visita ao Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) e na inauguração da unidade de saúde familiar Nuno Grande, instalada no centro da cidade de Vila Real.

Em frente ao edifício, um grupo de meia dúzia de enfermeiros esperou a comitiva, empunhando cravos brancos e um cartaz onde se podia ler “carreira imposta não”.

No final da cerimónia, Marta Temido atravessou a estrada e foi cumprimentar os enfermeiros a quem garantiu que o trabalho vai continuar.

Numa breve troca de palavras, os profissionais disseram esperar que nas próximas reuniões seja possível “chegar a bom porto, a um acordo benéfico” para os dois lados.

“Vamos dar alguns passos, nisso estou certa”, respondeu a ministra.

Depois, questionada pelos jornalistas sobre as greves no setor, a já anunciada dos enfermeiros e a prevista dos médicos internos, Marta Temido afirmou que o Ministério da Saúde continua a fazer o possível “por oferecer as melhores condições de trabalho aos profissionais”. “É isso que temos feito”, frisou.

Na quinta-feira, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) disse que pondera avançar para uma greve de médicos internos como protesto pela forma como o Governo tem tratado estes profissionais em formação especializada.

A comissão nacional de médicos internos do SIM manifestou-se esta semana indignada com declarações recentes da ministra da Saúde que "reforçam uma eventual proposta para a obrigatoriedade" de os internos ficarem no Serviço Nacional de Saúde após a conclusão do internato da especialidade.

“Eu acho que vale a pena clarificar que aquilo que estamos empenhados em fazer por estes dias é acabar de cumprir o programa do Governo e essa perspetiva é algo que terá de ser estudado, discutido com os sindicatos, com as escolas, com os profissionais em formação”, frisou Marta Temido.

“Pese embora eu respeitar todas as formas de protesto, eu também acredito que não pode haver entre nós, na nossa democracia, temas tabus e, portanto, compreendendo que essa seja uma ideia que possa ser encarada com menor simpatia por alguns, neste momento ela não está no programa do Governo e nos objetivos que nós temos para cumprir no curto prazo”, disse.

Portanto, acrescentou a ministra, é preciso desmistificar “os eventuais motivos de descontentamento”.

“Discutir ideias talvez não seja o suficiente para justificar uma forma de protesto, discutir ideias discute-se à mesa, apresentando pontos de vista”, sustentou.

O presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos (PS), aproveitou a presença dos membros do Governo para lembrar a reivindicação antiga de um novo acelerador linear para reforçar a unidade de radioterapia do centro oncológico do CHTMAD.

Marta Temido disse que espera poder “concluir a breve prazo esse investimento”, tal como a obra no bloco de partos do hospital.

“São caminhos que têm que se de ir fazendo sem desistirmos deles, porque os recursos são, infelizmente, sempre limitados e nós temos que ir gerindo”, concluiu.