O conselho diretivo do Infarmed esteve hoje reunido com laboratórios, sociedades científicas e representantes de doentes para avaliar alternativas terapêuticas ao medicamento Sinemet, que está em rutura de ‘stock’.

Em conferência de imprensa no final da reunião, a presidente do Infarmed, Maria do Céu Machado, manifestou-se convicta de que não vai haver falhas no acesso à medicação, lembrando que se trata de um medicamento do qual depende muitas vezes a vida dos doentes.

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O Infarmed apelou aos doentes para que não façam “uma corrida às farmácias”, para criarem “stocks individuais” deste medicamento, lançando também aos médicos um apelo para que não haja prescrição exagerada.

“Podemos comprometer-nos que não vai falhar o medicamento a nenhum dos doentes”, afirmou Maria do Céu Machado, indicando que o assunto está a ser tratado com “enorme preocupação” pela Autoridade do Medicamento.

A presidente do Infarmed lembrou que “a interrupção do tratamento pode ser ainda mais grave do que a própria doença”, garantindo assim que não haverá falhas de tratamento em Portugal.

A rutura por parte da empresa que produz o Sinemet está relacionada com um “problema de fabrico”, que a própria empresa não explicou ao Infarmed, e que afeta 45 países, incluindo Estados Unidos e Canadá.

Quanto à dimensão da rutura do medicamento, a presidente do Infarmed estimou que antes do final do primeiro trimestre do próximo ano “o problema poderá não estar resolvido”.

Na reunião de hoje estiveram quatro empresas farmacêuticas, incluindo um representante da empresa MSD em Portugal, que comercializa o medicamento Sinemet.

Há dois medicamentos atualmente comercializados em Portugal para o Parkinson, sendo que o Sinemet atingia até agora 80% da quota do mercado, o que corresponde a mais de 600 mil embalagens por ano.

De acordo com Maria do Céu Machado, um dos laboratórios que já comercializa um medicamento em Portugal, mas com uma pequena quota de mercado, irá fazer “um esforço para aumentar essa quota”, tentando pelo menos triplicá-la.

Duas outras empresas farmacêuticas têm um medicamento semelhante registado, mas não comercializado em Portugal, que é vendido noutros países europeus. Estes laboratórios comprometeram-se a “fazer um esforço” para comercializar em Portugal o medicamento.

“Até fim de outubro, se formos todos conscienciosos, prescritores e doentes, não vamos ter rutura nenhuma. E até ao fim do ano supomos que haja comercialização de outras moléculas. Gostaria de assumir que este processo que estamos a desencadear leva a que não haja uma rutura”, afirmou a presidente do Infarmed.

Maria do Céu Machado lembrou que a Autoridade do Medicamento, enquanto organismo regulador, tem instrumentos “para conseguir que não haja rutura”, nomeadamente obrigando a que empresas com medicamento registado, mas que não o comercializam em Portugal, passem a comercializá-lo “por questões de interesse de saúde pública”.

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