O Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC) vai proceder a uma avaliação das pacientes que receberam implantes mamários do fabricante francês Poly Implant Prothese (PIP), e assumirá os custos da sua remoção se isso for clinicamente indicado.

Em declarações aos jornalistas, Celso Cruzeiro, diretor do serviço de cirurgia plástica dos ex-Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), agora agregados nos CHUC, revelou que "mais de cinquenta" pacientes têm já a sua consulta marcada para avaliação das próteses.

"Vêm espontaneamente", afirmou, dizendo que não foi o serviço a contatar as pacientes, mas elas próprias a tomar a iniciativa, e que as consultas têm sido marcadas rapidamente "para não as manter naquela ansiedade".

Celso Cruzeiro disse compreender a preocupação das pacientes perante as notícias das ruturas de gel das próteses daquele fabricante, pois também a comunidade científica está preocupada.

Acrescentou que nos ex-HUC, nos mais de onze anos de colocação de implantes, não foram notados problemas acrescidos com tais próteses.

"Não temos mais complicações com as próteses PIP do que quaisquer outras próteses. Mantém-se mais ou menos o mesmo índice de complicação. O que nos preocupa são o que os números internacionais que vêm de França apontam para índices de rutura do gel de 10 ou 11 por cento", salientou.

Celso Cruzeiro estima entre 150 a 200 as pacientes que ao longo dos anos nos ex-HUC receberam implantes daquele fabricante.

Agora, quando se deslocarem à consulta de reavaliação serão sujeitas a exames clínicos e imagiológicos, por ecografia.

Se se verificar que houve rutura do gel serão retiradas, e será a unidade hospitalar a assumir a comparticipação na cirurgia das que implantou, porque, nas palavras de Celso Cruzeiro, a primeira responsabilidade que o médico tem é sobre os doentes que trata.

Apesar das preocupações, diz que não se deve enveredar por alarmismo, e que o indicado é fazer a reavaliação e aguardar as orientações gerais da União Europeia e do Serviço Nacional de Saúde português.

"Ouvem-se as coisas mais disparatadas, mesmo por cirurgiões que têm alguma responsabilidade", afirma Celso Cruzeiro, dizendo que "não faz qualquer sentido do ponto de vista científico" relacionar-se a rutura do gel com o cancro e que é "um contrassenso dizer que é mais perigoso retirar do que deixar ficar" o implante.

"Havendo mais ruturas de um gel que não é próprio, pode provocar mais inflamação, mais dor, mau estar e isso justifica uma intervenção, mas não é uma intervenção urgente, para hoje ou para amanhã", considerou.

5 de janeiro de 2011

@Lusa

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