Em declarações à Lusa, Filipe Mergulhão, investigador da FEUP, explicou que o objetivo do projeto, intitulado ‘SurfSAFE’, é “controlar e reduzir a adesão de biofilmes [comunidades estruturadas de bactérias] às superfícies”, por forma a aumentar a segurança microbiana na indústria.

“As bactérias, tipicamente, aderem a superfícies e depois multiplicam-se. As que vivem neste estado [biofilme] são muito mais resistentes a agentes químicos e agentes desinfetantes, o que passa a ser um problema para a indústria alimentar porque contamina os alimentos”, referiu o coordenador do projeto.

Nesse sentido, os investigadores vão desenvolver superfícies inovadoras que “mimetizem superfícies que já existem na natureza e que são, particularmente, eficazes na ação contra adesão destas bactérias”.

“Na realidade, nós não vamos evitar a adesão completa, vamos é atrasar o processo”, referiu Filipe Mergulhão, que se debruça sobre os biofilmes há mais de uma década e que, apesar de não poder “revelar” a estratégia que vai ser implementada no projeto, deu como exemplo as nervuras dos tubarões.

“Por exemplo, os tubarões têm uma célula com umas escamas cujo desenho é muito otimizado e eles não sofrem esta adesão bacteriana porque a pele têm umas nervuras muito pequenas que evitam tal adesão. Se no laboratório fizermos uma superfície que tenha essas tais nervuras, a adesão bacteriana vai atrasar-se imenso”, explicou.

A ideia dos investigadores passa assim por recorrer a superfícies que já existem na natureza e otimizá-las para que sejam utilizadas pela indústria.

“As empresas que fazem processamento de alimentos, por exemplo, saladas pré-lavadas, têm de parar muito frequentemente a sua atividade para fazer a limpeza”, disse Filipe Mergulhão, adiantando que estas superfícies vão permitir que as interrupções para a limpeza sejam mais espaçadas.

Ao atrasarem a formação dos biofilmes, estas superfícies permitirão também que os prazos de validade dos produtos sejam maiores, uma vez que a carga microbiana é inferior.

Segundo Filipe Mergulhão, além das vantagens para a indústria, há também vantagens para os consumidores, nomeadamente, “poderem ter produtos mais seguros” no mercado e com uma validade maior.

O projeto SurfSAFE, financiado em 900 mil euros pelo programa Horizonte2020, integra também investigadores da Universidade de Copenhaga (Dinamarca), do University Medical Center Groningen (Holanda) e da Manchester Metropolitan University (Reino Unido).

À Lusa, o investigador adiantou que, tendo em conta a pandemia da covid-19, “por cautela”, o projeto, que tem a duração de três anos, só arrancará no início de 2021.

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