
Segundo Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), hoje apenas serão feitos dois dos cerca de 10 domicílios previstos, "porque o tempo não dá para mais".
"O primeiro domicílio fica a mais de sete quilómetros", referiu a sindicalista à Lusa.
O protesto de hoje, convocado pelo SEP, tem como mote "Calce os nossos sapatos", naquele que é um convite à população para "sentir nos pés e na pele o que os enfermeiros passam para fazerem os domicílios".
Em comunicado, o SEP refere que aqueles enfermeiros "estão confrontados, desde há algum tempo, de forma incompreensível, com a retirada das condições necessárias para a efetivação das consultas de enfermagem".
"As enfermeiras, conscientes da imprescindível necessidade dos cuidados de enfermagem a estes doentes, decidiram fazê-lo a pé, tanto quanto humanamente seja possível", acrescenta.
Diretor do ACES critica enfermeiros
Em finais de maio, o diretor do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Gerês/Cabreira, a que pertence aquele centro de saúde, lamentou que alguns enfermeiros "queiram exigir que o Estado lhes garanta motoristas para o exercício das suas normais funções".
"Num momento em que os recursos materiais e humanos não são ilimitados, e em que Portugal, como de resto muitos países, está atingido pela forte crise económica e financeira, muito lamentamos que alguns enfermeiros queiram exigir que o Estado lhes garanta motoristas para o exercício das suas normais funções", referia Jorge Cruz, em nota enviada à agência Lusa.
Jorge Cruz reagia, assim, à denúncia dos deputados do PS eleitos pelo círculo de Braga, segundo a qual unidade de cuidados na comunidade (UCC) do Centro de Saúde de Vila Verde reduzira "abruptamente" o número de domicílios, "passando de 58 visitas semanais para apenas 25".
Segundo os socialistas, aquela redução deve-se "à escassez de recursos humanos, sobretudo de assistentes operacionais, que desempenhavam a tarefa de motoristas" dos enfermeiros.
Na resposta enviada à Lusa, Jorge Cruz lembrava que aquelas UCC se constituem por iniciativa e adesão voluntária dos profissionais que compõem as respetivas equipas e sublinha que "em nenhuma circunstância" é exigido aos enfermeiros que executem domicílios sozinhos, "porque essa matéria é interna e da responsabilidade das equipas de trabalho".
"Apesar disso, sempre que tal é possível, porque não há abundância de recursos, tem sido garantido o acompanhamento de um assistente operacional, com habilitação para condução, particularmente em unidades funcionais com um número reduzido de enfermeiros ou em que os mesmos não detêm tal habilitação", acrescentava.
Comentários